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MUNDO — MEU MUNDO

FILOSOFIA
Heidegger: SER-NO-MUNDO

Arcângelo Buzzi

Rilke, no poema Oitava Elegia de Duino, diz o mesmo pensamento de Nietzsche em linguagem diferente. Rilke contrapõe o animal e o homem. O animal «em todo olhar vê o Aberto», ao passo que o homem é incapaz de contemplar «o puro espaço onde as flores infinitamente desabrocham». O homem vê o mundo, isto é, se dirige para o que ele mesmo determinou, arejou, limpou. «Mundo» vem da palavra latina mundus, que significa puro, limpo. Mundo indica, portanto, a atividade do homem de limpar o espaço ecológico onde mora. Num sentido mais amplo indica o resultado da atividade do pensamento que institui modelos de compreensão operativa e significativa do real. Mundo é o que o homem pode. Daí as expressões: mundo romano, mundo grego, mundo ocidental, o mundo do homem não é o mundo de Deus. O homem está sempre literalmente submerso no seu mundo. «Se alguma coisa nos estorva, nós a organizamos. Ela cai em pedaços; organizamo-la novamente e somos nós mesmos despedaçados».

O homem resiste assim ao futuro. Seu futuro é o agora organizado e projetado, como diz o provérbio alemão: Morgen ist auch ein Tag. Isso nos faz ver o quanto o homem é inseparável da interpretação dos fatos, das circunstâncias que vive, do mundo que se deu. Ele constitui o tecido da existência organizando os dados num concreto arranjo existencial, que lhe tolhe até certo ponto a própria possibilidade de ver o Aberto, pois quem organiza conclui, resolve, fecha.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)