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page id: 2300 Mario Ferreira dos Santos - Parmênides de Eleia
Mário Ferreira dos Santos - breve síntese
PARMÊNIDES (natural de ELÉIA, 540-485? aC)
Foi nomeado legislador de Eléia. Segundo Diógenes Laércio foi discípulo de Xenófanes de Colofon, o que não está devidamente comprovado, e segundo Teofrasto e também Anaxímenes, manteve relações com os pitagóricos Amínias e Dioquetas. Destas últimas influências há indícios mais seguros, dada à vida política de Parmênides. Quanto à cronologia, que damos acima, é também controvertida. E o próprio testemunho de Platão em seu Parmênides parece suspeito, pelo intuito de demonstrar a influência eleática na transformação da doutrina de Sócrates, a quem, segundo Platão, Parmênides conhecera, quando aquele era jovem. A única obra de Parmênides é "Da Natureza" (peri physeos), em versos hexâmetros, da qual restam fragmentos.

Temas: a) afirmação do ser, repúdio à sensação, à contradição do ser e do não-ser; a razão como único critério da verdade. Foi assim o primeiro a compreender e a afirmar o princípio de identidade e o de não-contradição, postulados fundamentais da filosofia. O ser e o não-ser formam uma antítese inconciliável;

b) conceituabilidade do real e inconceituabilidade do irreal; afirmando a existência das coisas pensadas, porque o não-ser não pode ser pensado (inconceituabilidade do não-ser). "Pois tu não poderás conhecer o não-ser" (frag. 4, 7-8). "É mister dizer e pensar que o ser é, pois é possível que seja, mas o nada não é possível: isto é o que rogo consideres" (frag. 6, 1,3). E afirma: "A mesma coisa é o ser" (frag. 5);

c) existência do ser, eternidade imutável. Atributos: eterno e indestrutível, imóvel e sem fim. Deduz a eternidade do ser: 1) da inconceituabilidade do não-ser; 2) da inconceituabilidade da gênese (que seria a aceitação da contradição "ser e não-ser"); 3) da inexplicabilidade dessa gênese;

d) nada existe fora do ser (unidade); nem é divisível, porque tudo é igual (indivisibilidade); e tudo está cheio do ser (homogeneidade);

e) tudo é imóvel, sem princípio nem fim, e sempre idêntico; uma rigorosa Necessidade (Moira) mantém-no firme por todas as partes (frag. 8, 26-31); é o ser uma esfera infinita porque se propaga por toda a parte. Este sentido de PITÁGORAS tem um significado simbólico. A esfera define melhor o sentido da propagação do ser, da extensão infinita, ilimitada;

f) com PITÁGORAS, a filosofia passa de física a ser ontológica, uma ontologia do ente cósmico, físico. Há o mundo aparente, o mundo das coisas (prágmata) e o mundo verdade, o mundo dos entes, que só o Nous conhece. O problema da física (ciência da natureza, movimento das coisas naturais) permanece em PITÁGORAS A negação do movimento nega a física. Se o ente é um e imóvel, não há natureza, não há física. Se existe o movimento, a idéia de PITÁGORAS não serve. Aristóteles procura dar uma solução, que os pré-socráticos, após PITÁGORAS, também tentaram de várias maneiras.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)