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page id: 1314 SEGUIDORES DE MESTRE ECKHART
MESTRE ECKHART — "SEGUIDORES"

VIDE: Místicos Renano-Flamengos

IRRADIAÇÕES DA MÍSTICA ECKHARTIANA

Giuseppe Faggin - Meister Eckhart e a mística medieval alemã

Nem toda a literatura posterior ao grande dominicano segue os rastros de sua ensinança. Afastadas de sua dialética e de sua refinada metafísica, florescem muitas obras e tratados que não se dirigem tanto a inteligências instruídas nos rigores da lógica e ansiosas por alcançar os cumes da abstração e da sabedoria, como a boas vontades, desejosas de orientar-se cristianamente em meio à dolorosa confusão da existência e de acolher resignada e humildemente a mensagem de caritas. Deste misticismo prático e ativo, Henri Suso (1379-1471) é o mais famoso representante: A Imitação de Cristo — que se lhe atribui e que, junto com o Livro da Eterna Sabedoria de Henrique Suso, foi um dos livros mais lidos do medievo alemão — nem sequer toca em um dos graves problemas provocados pela especulação eckhartiana: o colóquio que se desenvolve entre a alma e Deus. Enquanto por um lado permanece constantemente incluído no mundo carismático da Igreja e de sua organização exterior, por outro lado conserva um vivíssimo sentido da Transcendência do absoluto e da lei moral. O misticismo especulativo de Eckhart exigia impulso de pensamento e unicamente do pensamento se esperava o prodígio de união suprema. O ascetismo de imitação, se bem que repete muitos aspectos da ética eckhartiana, se dirige aos humildes e não tende a construir uma teoria que justifique uma excepcional experiência do Divino, senão tão só propor as normas para um aperfeiçoamento moral indefinido.

Fora da Alemanha a mística do Mestre revela sua influência mais profunda sobre o flamengo Ruysbroeck, cuja atitude religiosa fundamental e sua mesma terminologia demonstram diretos contatos com o pensamento de Eckhart, ainda que o Libro de las XII virtudes não lhe pertença. Mas Ruybroeck é inequivocamente fiel ao magistério da Igreja e se opõe às teses de Eckhart que foram incriminadas não menos que à falsa "liberdade do espírito" dos bigardos.

Mas mesmo fora da vida do claustro o pensamento eckhartiano se difunde, iluminando a sociedade leiga e transfigurando, de acordo com seus princípios fundamentais panteístas, a própria existência cotidiana. Em meados do século XIV surge a sociedade religiosa dos Amigos de Deus (Gottesfreunde), que se difunde ao longo do Reno, na Suécia e na Suíça.

Tauler e Suso haviam sido seus promotores. Através de sua ensinança e de seu apostolado, os princípios da mística eckhartiana chegavam a inspirar a vida prática e a refinar, no retiro e na pobreza, a interioridade da experiência moral-religiosa.

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)