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Separação - Pecado

Esta dicotomia homem velho homem novo, o taoismo vê como um desequilíbrio, o vedanta como ilusão, o budismo como ignorância, o cristianismo como queda e o islamismo como rebeldia.

Extração do veneno com o veneno

Próximo: Porque Deus criou pessoas más?

Mestre: Essa é Sua vontade, Seu jogo. Em Seu maya existe avidya assim como vidya. Escuridão é também necessária. Revela além do mais a glória da luz. Não há dúvida que raiva, luxúria, e ganância são males. Porque, então, Deus os criou? A fim de criar santos... De novo, veja como todo Seu jogo de criação é perpetuado através da luxúria.

São os males no Universo necessários porque são de origem anterior a Esfera Superior?

Talvez de preferência porque sem o mal o Todo seria incompleto. Pois a maioria ou mesmo todos as formas de mal servem o Universo — assim como a cobra venenosa tem seu uso — embora em muitos casos sua função é desconhecida. O vício ele mesmo tem muitos lados úteis: aporta muito do que é belo, em criações artísticas por exemplo, e nos provoca a um viver mais pensado, não nos permitindo adormecer em segurança.

Ambrosia pode ser extraída mesmo do veneno; fala elegante, mesmo de uma criança; boa conduta, mesmo de um inimigo; ouro mesmo da impureza.

Pensou consigo mesmo que este mundo era muito melhor que o Paraíso se os homens tivessem olhos para ver sua glória, e suas vantagens. Pois as próprias misérias e pecados e ofensas que nele estão são material para sua alegria e triunfo e glória. De modo que ele deve aprender uma arte divina que agora será feliz, e que é como um alquimista real a reinar entre os venenos, a virar escorpiões em peixes, sarças em flores, injúrias em ornamentos, venenos em tônicos. E aquele que não pode aprender esta arte, de extrair o bem do mal, não deve ser considerado para nada. Por conseguinte, para desfrutar as belezas, e ser grato pelos benefícios era toda a arte que era requerida para felicidade, mas agora um homem deve, como um Deus, trazer Luz da Escuridão, e ordem da confusão. Que somos ensinados a fazer por Sua sabedoria, que rege no meio dos temporais e das tempestades.

Não pode haver auto-restrição na ausência de desejo: quando não há adversário, para que serve a coragem?

Ouça, não te castres, não te tornes um monge: castidade depende da existência de luxúria.

Não há mal que cometamos,
Mas que não se tenha algo a dele extrair:
Assim como pecamos: Deus, o grande Alquimista, então
Saca o Elixir da verdadeira penitência.

Paixões obscurecentes, sendo o meio para lembrar da Sabedoria Divina (que dá liberação delas), não devem ser evitadas (se corretamente usadas para... alcançar a desilusão).

Shiva, o Deus Terrível, ensinou na doutrina da mão esquerda que o progresso espiritual é somente possível com a ajuda de próprias coisas que são a causa da queda do homem.

Assim como a água que entrou no ouvido pode ser removida pela água e assim como um espinho pode ser removido por um espinho, assim aqueles que conhecem como, removem a paixão por meio da paixão ela mesma. [..] assim o sábio torna-se livre da impureza por meio da impureza ela mesma.

Similia similibus curantur («O mesmo é curado pelo mesmo»).

Justiça de Deus

Perdão incumbe somente a Alá para com aqueles que fazem mal em ignorância, e então voltam-se rapidamente em arrependimento. Estes são aqueles para quem Alá volta-se.

Inveje não a glória e as riquezas de um pecador: pois não sabes qual será sua ruína.

Mas, diz-se, vejo o nobre e bom morrendo de fome e frio.

Bem, e não vês aqueles que não são nobres e bons morrendo de luxúria e ostentação e vulgaridade?

Não digas: pequei, e que mal caiu sobre mim? pois o Altíssimo é um premiador paciente.

Nem é possível ocultar fogo em uma vestimenta, nem um desvio grosseiro da retidão no tempo.

O lugar onde Dharma e Adharma são feitos é um. O lugar onde seus frutos são experimentados, Céu o Inferno, é alhures.

Desordem também está sujeita ao Mestre, mas ele ainda não impôs ordem sobre ela.

Não reverencie teu vizinho em sua queda.

Dor de saber o que se é, mas tambem que se é...


Agora me perguntas como podes destruir este conhecimento e sentimento desguarnecido do teu próprio ser. Porventura pensaste que uma vez destruídos, todos os outros impedimentos também o seriam? Se assim pensas, o fazes corretamente. Mas a isso eu respondo que sem uma graça plena e especial, plenamente dada por Deus e também pela tua própria capacidade em recebê-la, esta sensação de ser algo à parte pode ser destruída. E esta possibilidade nada mais é que uma forte e profunda dor. .. Todos os homens estão sujeitos à dor; e, mais especialmente sofrem ao saber e conhecer que ele é. Todas as outras dores diante desta são simples jogos para o ardoroso. Pode pois produzir sofrimento ardorosamente aquele que sabe e sente não apenas o que ele é, mas também que ele é. E aquele que nunca sentiu esta dor continuará produzin-do-a, já que nunca sentiu a verdadeira dor. Esta dor real, ao surgir, limpa a alma, não só do pecado, mas também do sofrimento; e faz com que ela se torne apta a receber aquela alegria que transborda do homem que conhece e sente o próprio ser.

Esta dor, se corretamente concebida, é plena de um desejo santo, e muitas vezes é provável que o homem jamais a suporte nesta vida. Pois se a alma não fosse, de certo modo, nutrida e confortada por um trabalho adequado, não poderia suportar a dor de sentir e conhecer o seu próprio ser. Pois quanto mais ele tiver um verdadeiro conhecimento e sensação de seu Deus na pureza de espírito (como pode ocorrer aqui), se sentirá mais inerme — porquanto o seu conhecimento e sensação afiguram-se-lhe um malcheiroso pedaço de si mesmo, que deverá ser para sempre odiado, desprezado e esquecido, se for um perfeito discípulo de Deus, por Ele próprio instruído no monte da perfeição — cada vez mais enlouquecido pelo sofrimento. . .

Este desejo e sofrimento, toda alma tem de sentir em si mesma (desta ou de outra maneira), quando Deus concede ensinar seus discípulos espirituais de acordo com sua boa vontade e aptidão de corpo e alma, em grau e disposição, até o tempo em que possam ser perfeitamente unos com Deus e dotados de uma perfeita caridade — se assim aprouver a Deus.

Misericórdia de Deus


Mesmo se o mais conspícuo Me louva com devoção indivisa, deveria ser visto como bom, pois está justamente resolvido.

Muito cedo ele se torna uma alma reta e alcança a paz eterna. Saiba, ó filho de Kunti, que o meu devoto nunca perece. (IX.30,31)

Diga: Ó Meus escravos que foram perdulários com suas vidas! Não desesperem da misericórdia de Alá; verdadeiramente, Alá perdoa a totalidade dos pecados. Ó! Ele é para sempre o Perdoador, o Misericordioso. (XXXIX,53)

Todo erro e reproche levado a Deus pelo pecado ele alegremente suporta e suportou para que mortais possam alcançar uma compreensão viva de seu amor e ainda mais elevar seu amor e gratidão e alimentar a chama de sua devoção — a reação normal e própria para seu pecado. Por esta razão Deus está ansioso para suportar os pecados e frequentemente os permite, enviando-os às pessoas para as quais provê algum destino elevado.

Quanto mais grave os pecados de um homem parecem a ele, mais prontamente Deus os perdoa, para entrar na alma e expulsá-los; pois todos são diligentes em se livrar do que é mais desagradável a ele. Quanto mais em número, são os pecados de um homem, maiores são, mais Deus se satisfaz, sem medidas, em perdoá-los. Quanto mais o aborrecem, mais prontamente ele os trata. Quanto mais cedo o arrependimento divino alcança Deus, mais cedo os pecados são devorados no abismo de Deus — tão rápido quanto fecho meus olhos. São aniquilados como se nunca tivessem acontecido, somente se o arrependimento é por inteiro.

Deus perdoa os pecados dos homens por um desígnio eterno de destruí-los; e quando a sentença de morte é retirada de um pecador, é ao mesmo tempo denunciada contra seus pecados.

Deus à vezes permite a fraqueza a fim de ser capaz então de elevar-se, por meios de contraste entre estas enfermidades acidentais e o ser essencial, as virtudes mais profundas.

Para o misericordioso, o arrependimento do ofensor é um advogado suficiente.

Por Ele que sustenta minha alma, se não pecares, Alá o abandonará, e recolhe aqueles que pecam e pedem perdão a Alá, e os perdoará.

Todos os males da contrariedade e desordem na natureza caída são apenas diversos materiais nas mãos do infinito amor e sabedoria, feitos para trabalhar de diferentes maneiras tanto quanto possível para um único e mesmo fim, i.e., converter o mal temporal em bem eterno.

Força e fogo na natureza divina nada mais são que a força e o chama de amor, e nunca podem ser outra coisa; mas na criatura força e fogo pode estar separadas do amor, e então se tornam um mal, são a ira e a escuridão e toda concupiscência.

Aqueles santos que Deus mais ama, o Diabo não tenta menos.

Se a impetuosidade não existisse,não haveria mobilidade.

Aquele que é verdadeiramente penitente e realmente se lamenta, deve receber o perdão sem dúvida ou atraso. A oração que é feita por coração contrito e humilde é prontamente atendida, um coração contrito pelo medo e humilde pelo lamento.

Para quem quer que lamente pelo pecado eu o perdoo e quem quer ainda que lamente seu pecado, a ele dou Minha Graça. Quem se agrava pelo pecado a ponto que preferir morrer que pecar de novo, deve após esta vida não ser condenado a mais punição mesmo cometendo pecados diários.

Quão pecaminosa uma pessoa possa ser, se cessasse a lamentação inconsolável, "Sou um pecador como devo alcançar a Salvação?" e abandonando mesmo pensamento que é um pecador, se zelosamente praticasse a meditação no Si-mesmo, certamente se reformaria.

A alma presa pelo "eu"

Um pequeno pássaro preso pela perna por um laço, frequentemente flutua e luta para alçar voo: mas ainda é puxado para baixo para a terra de novo: assim a alma presa em um Princípio-do-eu, pode fazer tentativas de Oração e Ofertório a Deus: mas ainda é agarrada pelo laço de "eu", que a prende ao solo. (Peter_Sterry)

A alma como um pássaro em uma armadilha

Esta (alma elementar) bhutatman, é verdadeiramente superada pelas qualidade da Natureza (gunas).

Logo, devido a ser superada, entra na confusão; por causa da confusão, não vê o abençoado Senhor (prabhu), o causador de ação, que permanece dentro de si mesma (atma-stha). Nascida junto e enganada pela corrente de qualidades, oscilante, vacilante, desnorteada, cheia de desejo, distraída, procede para o estado de auto-presunção (abhimanatva). Pensando "Isto sou eu" e "Aquilo é meu", prende-se dentro de seu eu, como um pássaro em uma armadilha. (Upanixades Maitri Upanixade)

Não é o mundo que ilude o homem

Não é o mundo que ilude o homem, mas os homens se iludem, e assim se dirigem para ruína. Pensam que sua felicidade consiste em bens que este mundo dá, e pensam que estes bens durarão para sempre, esquecendo que a vida neste mundo é uma alternância de bem e mal. (Hermetismo)

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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