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id da página: 6267 HAIMA — FORÇA VITAL, SANGUE
PHILOKALIA-TERMOS — HAIMA = FORÇA VITAL, SANGUE

NT haima ocorre 97 vezes no NT. Há 21 exemplos em Hb e 19 em Ap. Emprega-se para (a) sangue humano, tanto lit. (Mc.5:25; Lc. 13:1; Jo 19:34) como fig. i.é, sangue derramado (Mt 23:35); (b) na combinação sarx kai haima, "carne e sangue", 6 vezes; (c) para o sangue de animais em geral (At 15:20, 29, onde o decreto do concilio de Jerusalém se baseia em Lv cap. 17), e, em particular, para o sangue de animais sacrificiais (12 vezes em Hb., relembrando o AT); (d) com a maior importância teológica, para o sangue de Cristo, vinculando-se diretamente com o significado salvador da morte de Jesus em 25 ocorrências; e (e) 9 vezes como sinal apocalíptico.

1. haima, como sangue humano (Jo 19:34), e como sangue animal, é aquilo que transmite a vida, e assim se emprega em Jo 1:13 (somente aqui no plur.). Este também era o emprego em At 17:26 (somente em TR, D e alguns outros MSS). Quando se trata do sangue humano, frequentemente se refere á morte violenta de alguém, na qual há culpa de outras pessoas. É, portanto, urna expressão fig. para a destruição da vida humana (Rm 3:15). Esta ideia da destruição da vida deve ser entendida em Hb 12:4: "Ainda não resististeis ao ponto de derramardes o vosso sangue". Da mesma maneira, o sangue de Jesus pode se referir à Sua morte violenta, a culpa da qual cabia a Judas (Mt 27:4), Pilatos (Mt 27:24) e Israel (Mt 27:25; At 5:28). Expressões tais como time haimatos, "o preço do sangue", "a paga pelo assassinato" (Mt 27:6) e agros haimatos, o campo comprado com o preço do sangue (Mt 27:8) revelam este emprego figurativo.

Deus, e somente Ele, é o Senhor de toda a vida. Somente Ele controla o sangue e a vida do homem. E por isso que Ele vinga o sangue humano inocente que foi derramado (Gn 9:5). Isto é especialmente verdadeiro no que diz respeito ao sangue dos mártires, dos profetas e dos justos (Mt 23:30, 35; Lc. 11:50-51), e dos santos e testemunhas de Jesus (Ap 6:10-11; 16:6-7; 17:6; 18:24; 19:2) que perderam as suas vidas por amor à verdade da palavra de Deus. Sendo assim, o sangue pode significar a totalidade da existência do homem diante de Deus, pela qual cada individuo terá que prestar contas diante de Deus, mas na qual outras pessoas podem ser envolvidas de modo culposo. Quando Paulo disse: "Sobre a vossa cabeça o vosso sangue;" e "Estou limpo do sangue de todos" (At 18:6; 20:26), estava se referindo a Ez 3:17 e segs. Quis dizer que cumprira a sua tarefa de proclamar o evangelho aos seus ouvintes, e que agora estes tinham de responder exclusivamente diante de Deus quanto as suas vidas, no tempo e na eternidade.

2. O sangue é uma parte necessária do corpo humano, e se emprega na expressão sarx kai haima, "carne e sangue", para expressar a escravidão do homem ao pecado e à morte. No NT, a expressão se emprega para caracterizar a fraqueza e a transitoriedade do homem. Ele é o escravo da morte. O temor da morte (Hb 2:14-15) é um sinal importante do seu estado caído como criatura, como carne e sangue. No seu estado natural, o homem não pode participar da glória de Deus; pois a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus (1 Co 15:50). "Sua antiga existência tem de decair; Deus tem de começar uma nova criação, pois é somente assim que o Reino de Deus pode vir" (K. Heim, Gemeinde der Auferstandenen, 1949,237-8).

3. O sangue do sacrifício e o sangue de Cristo. O NT continuou o conceito do sangue sacrificial do AT que operava em fazer a aliança e a reconciliação. Hb 9:7,12-13, 18-22, 25; 10:4;. 11:28; 13:11 mencionam o sangue sacrificial de animais. Vinculam-se com os tipos do AT, e indicam a superioridade do sangue de Cristo, o antítipo no NT. Isto porque a Sua morte tem um significado reconciliador. O poder do sangue sacrificial de Cristo traz perdão e santificação. Estabelece a paz com Deus e é o fundamento de uma nova comunhão com Deus. Na prática, o sacrifício era levado a efeito mediante a haimatekchysia, o derramamento do sangue. Este conceito se acha no NT somente em Hb 9:22, e não pode ser achado na linguagem não-cristã. No contexto de Hb 9:19 e segs., se refere primariamente á celebrado da aliança em Sinai (Éx 24: 5-8), e especificamente ao matar do animal sacrificial. (O Talmude (Yoma 5a, Men. 93b, Zeb. 6a) contém a declarado: "Sem o sangue, não há expiação".) É provável que o termo também inclua o derramamento do sangue à base do altar (Ex 24:6; Lv 1:5, 11; 9:12), e a aspersão dele sobre o povo de Israel (Ex 24:8; Hb 9:19). O contexto revela que em Hb 11:28, a proschysis tou haimatos, o derramamento (ou aspergir) do sangue refere-se exclusivamente ao sacrifício da Páscoa (Ex 12:7, 12, 22-23).

O sangue de Jesus Cristo (1 Pe 1:2), o sangue de Jesus (Hb 10:19; 1 Jo 1:7), o sangue de Cristo (1 Co 10:15; Ef 2:13; Hb 9:14), o sangue do Senhor (1 Co 11:27), o sangue do Cordeiro (Ap 7:14; 12:11), ocupa uma posição central no pensamento do NT. Deriva seu significado especialmente dos sacrifícios do Dia da Expiado (Lv cap. 16). É sangue sacrificial que Cristo, em perfeita obediência a Deus (Rm 5:19; Fp 2:8; Hb 5:8), ofereceu ao entregar-Se na cruz (Hb 9:12 e segs.). Jesus, no Seu sofrimento e morte, ofereceu o sacrifício verdadeiro para a remoção dos pecados. Para substituir todos os sacrifícios que tinham sido trazidos pelos homens, Ele trouxe o sacrifício perfeito da Sua vida. Seu sacrifício leva a efeito a reconciliação do homem com Deus (cf. K. Barth, CD IV 1,283-357). Excertos de "Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento", de Coenen & Brown)

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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