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FILOSOFIA — METAFÍSICA - METAPHYSIKA

VIDE: FILOSOFIA PRIMEIRA; SABEDORIA METAFÍSICA

Perenialistas

René Guénon: A METAFÍSICA ORIENTAL; INTRODUÇÃO GERAL AO ESTUDO DAS DOUTRINAS HINDUS

Ananda Coomaraswamy: DA PERTINÊNCIA DA FILOSOFIA

...a metafísica não pode de modo nenhum ser considerada uma doutrina que oferece consolo a uma humanidade sofredora. O que a metafísica entende por imortalidade e por eternidade implica e exige de qualquer homem uma negação total e descomprometida de si mesmo e uma mortificação final, ou seja, morrer e ser enterrado na Divindade. "Quem quer que seja que perceber isto evita a morte contingente (punar mrtyu); a morte não o apanha, pois a Morte passa a ser a sua essência, e de todos estes anjos ele se torna o Único" (Brhadaranyaka Upanixade 1.2.7). É que a Identidade Suprema não é menos uma Morte e uma Escuridão que uma Luz e uma Vida, não é menos Asura que Deva: "A projeção dele é Eviternidade e também é Morte" (yasya chaya amrta, yasya mrtyuh, Rg Veda X. 121.2; v. Escuridão Luz). E é isso que entendemos ser a finalidade suprema da Primeira Filosofia.

Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
Naturalmente, o fato de recorrermos às terminologias sânscritas e árabe indica que a Índia representa, com os Upanixades, a mais antiga doutrina metafísica da humanidade — pensamos na metafísica explicitada, não no puro simbolismo, sem origem e localização —, enquanto o Islamismo é a última Revelação da humanidade e encerra, assim, o ciclo das grandes manifestações legisladoras e salvadoras. As duas correntes tradicionais, o ariano primordial e o semítico final, encontraram-se nas terras da Índia, o que, longe de ser um acaso — e não existe acaso em fenômenos de tal envergadura —, é, pelo contrário, uma situação simbólica plena de significado.

Tudo aquilo que em metafísica ou em espiritualidade é universalmente verdadeiro torna-se "esotérico" na medida em que isto não combina, ou parece não combinar, com tal sistema formalista, mais precisamente com tal "exoterismo". Mas toda verdade deve ser citada em qualquer religião, já que toda religião é constituída pela verdade. Isto significa que o esoterismo é possível e mesmo necessário; a questão toda é saber em que nível e em que contexto ele se manifesta, pois a verdade relativa e limitativa tem os seus direitos, assim como a verdade total. Ela os tem sob o aspecto preciso, que é propiciado pela natureza das coisas e que é o da oportunidade psicológica ou moral e do equilíbrio tradicional.

A metafísica não é considerada verdadeira — pelos que a compreendem — porque se enuncia de maneira lógica, mas pode enunciar-se de maneira lógica por ser verdadeira, sem que — com toda evidência — sua verdade jamais possa ser comprometida por eventuais falhas da razão humana.

A doutrina metafísica ou esotérica dirige-se a uma outra subjetividade que não a mensagem religiosa geral: esta fala à vontade e ao homem passional; aquela, à inteligência e ao homem contemplativo. O aspecto intelectual do exoterismo é a teologia, ao passo que o aspecto emocional do esoterismo é o sentido da beleza, na medida em que esta possui virtude interiorizante; beleza da natureza, da arte e, também, acima de tudo, beleza da alma, projeção longínqua da Beleza de Deus.

Não esqueçamos que a perspectiva teológica se caracteriza extrinsecamente por sua preocupação em defender os interesses conceptuais e morais, ao passo que a metafísica pura dá explicações quanto à natureza das coisas, estando consciente dos seus aspectos e pontos de vista.


Francisco García Bazán: A DOUTRINA METAFÍSICA

Filosofia Medieval

Alain de Libera: METAFÍSICA MEDIEVAL

Sufismo

Christian Jambet: O ATO DE SER
A metafísica é bem a «ciência divina», ou a «sabedoria divina». A ciência que podemos ter do ser enquanto ser é, certamente, indigna da ciência que Deus tem dele mesmo e dos existentes possíveis. Mas ela não difere essencialmente, ela desta é o reflexo no espelho de nossa inteligência, infinitamente distante de alcançar a perfeição, e no entanto expressiva da intelecção do Sujeito por excelência, o Sujeito divino. A definição que Sadra dá a metafísica é conforme às lições de Aristóteles e de Avicena: ela será a ciência do existente enquanto existente. Ela culminará no reconhecimento do existente mais elevado, do existente necessário por si: «Posto que se estabeleceu e verificou que a sabedoria primeira e a ciência mais alta é a busca dos estados do existente e das divisões primeiras do existente absoluto, sem que seja uma espécie particular, do registro das matemáticas ou da física, e bem seu sujeito, é a natureza do existente absoluto, ou o conceito do existente enquanto existente. É necessário portanto que seu sujeito tenha uma realidade evidente por si mesma, que não se destaca de uma definição representativa ou de uma demonstração prévia».

LÉXICOS: Guénon; Schuon; Coomaraswamy; VOCABULÁRIO DA FILOSOFIA


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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