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id da página: 5277 KRINO — JULGAR; KRISIS — JUÍZO, JULGAMENTO
PHILOKALIA-TERMOS — KRINO = DISTINGUIR, DECIDIR, DELIBERAR, JULGAR, CONDENAR, PUNIR; KRISIS = JUÍZO, JULGAMENTO

VIDE: JUSTIÇA; DISCERNIMENTO; EXAME; CASTIGO

LÉXICOS: Guénon; Schuon; Coomaraswamy; Metafisica Cristã; Philokalia; Tradição e Simbolismo

Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter vida em si mesmos; e deu-lhe autoridade para julgar [krise], porque é o Filho do homem. (Jo 5:26-27)

Perguntavam-lhe então: Quem és tu? Respondeu-lhes Jesus: Exatamente o que venho dizendo que sou. Muitas coisas tenho que dizer e julgar [krino] acerca de vós; mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele ouvi, isso falo ao mundo. (Jo 8:25-26)

Clamou Jesus, dizendo: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. Eu, que sou a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar [krino] o mundo, mas para salvar o mundo. (Jo 12:44-47)


DICIONÁRIO TEOLÓGICO DO NOVO TESTAMENTO, Coenen, Beyreuther, Bietenhard
kríma = acordo, juízo; kríno = discernir, ajuizar, julgar; anakrínó = investigar, examinar; krísis = sentença; krith = juiz; synkríno = comparar, ajuizar; katákrima = castigo, condenação; katakrínó = condenar; katákrisis = condenação, condena; kataginoskó = condenar

No NT krino e kríma se empregam com muita frequência em um sentido estritamente jurídico. Krino tem então o sentido de julgar; na voz passiva: condenar, castigar; na voz media: litigar.

FILOSOFIA
Kant: CRÍTICA DA RAZÃO PURA

Arcângelo Buzzi
Manter a abertura é o caráter específico do humano. Isso não significa arrancar o homem de sua circunstância para o instalar fora-de ou além-de. Significa viver a circunstância negativamente, isto é, com aquele poder crítico que nos faz ver que o efetivamente dado ou realizado não é ainda o humano.

Criticar (krínein) significa discernir, julgar. Em geral se critica a partir de um padrão, de uma norma, de um código ou juízo formulado. Em seu sentido primeiro, porém, krínein (criticar) significa discernir no que aparece uma profundidade que se esquiva a toda sentença. Ver no-que-está-aí aquela estranha profundidade é ter espírito crítico. O poeta vive dialogando com o estranho. Por isso o poeta é sempre crítico. Sua obra é julgamento, apreciação do-que-está-aí a partir de uma abertura que ainda não é.


PERENIALISTAS
Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 51
Jesus confia não sem impaciência em que os mortos vivos – neste caso a consciência psíquica na qual jazem como mortos vivos os filhos da luz – ouçam a voz do Filho de Deus, e por isso insiste em que “já estamos na hora” de que cada consciência escute a voz do Filho (Palavra), semeada em cada um, posto que a Palavra é o ser verdadeiro, a essência, o Filho do Homem, o morador celestial da casa própria. Consigna então Jesus, em uma declaração de máxima importância que ao Filho, o qual como Filho tem vida em si mesmo, “lhe é dado (o Pai) poder para julgar porque é Filho do Homem” (além de ser Filho).

Dizer “para poder julgar”, é o mesmo que dizer, neste caso, poder levar à ressurreição, da morte à vida, por conta do juízo de discriminação, conjuntamente, a todo aquele que dos moradores unificados no eleito tenha acolhida nesse “ser uno” e resulte digno de receber a salvação.

Dentro dessa ordem, diz Jesus por isso que “todos os que estão nos sepulcros ouvirão Sua voz” (nos sepulcros caiados que parecem vivos por fora mas estão mortos por dentro). Pela locução “todos”, deve entender-se aqui não somente os filhos da luz, os cativos cuja liberação foi proclamada, senão também os filhos do mundo, os oprimidos cuja liberdade foi também anunciada na Boa Nova de Nazaré para todos aqueles “cegos” que recobram a visão da luz (Lc 4,18). Estes últimos são todos aqueles conteúdos psíquicos vivificados, viventes, isto é, sem vida própria senão tomada em empréstimo do homem pneumático. Quando estes conteúdos são postos para
purificação como a prata, no mesmo sepulcro que o filho da luz, podem chegar a “ouvir a voz” do Filho do Homem e fazer-se partícipes da imortalidade, por adoção em sua nova unidade substancial com o eleito.

A voz é o juízo, pois decide o juízo: a prata purificada é o “resto” que se une com o eleito na culminação de seu repouso. Por outro lado, os conteúdos psíquicos que se sustentaram impuros (o evangelho diz: “no mal”), quando abandonem seu psíquico “sepulcro caiado” ressuscitarão como palha condenada a ser espalhada, separada da psique que o alimentava, no vento perecedouro, bem longe do celeiro da imortalidade (Lc 4,18).


Evangelho de Tomé - Logion 77
O Juízo deve ser entendido como o último trecho de um caminho de retorno que vai desde a sombra à luz. Como revela Paulo Apostolo: “(Há) um só Senhor, Jesus Cristo, por quem todas as coisas são e pelo qual somos (por quem vamos até ao Pai). Esta via de redenção é a que o logion aponta quando diz: “Tudo a mim chegou”. Porém o quarto evangelho, ao falar da luz diz isto ainda mais claro: “O que me siga não caminhará na obscuridade, senão que terá a luz da vida”.

Sobre este trajeto final há muitos testemunhos testamentários que convém recordar: “A senda dos justos é como a luz do alvorecer” (Pr 4,18). Inclusive, o salmista, dá a medida da identidade de “aquele-que-volta” e “o-que-é”: “Em tua luz vemos a luz (Sl 36,9). Em uma passagem bem conhecida explica o profeta Isaías os primeiros passos do cumprimento deste caminho redentor que muitos esperam com ânsia: “Os que viviam na terra das sombras, uma luz brilhou sobre eles”. Esta luz é a “presença” da Palavra da qual falamos. Mas em definitivo é Jesus quem no evangelho de João entrega todas as chaves para que se abram as portas do regresso à luz: “Eu, a luz, vim ao mundo para que todo aquele que crê em mim não siga nas trevas” (Jo 12, 46).

Viver na luz é o regresso e a redenção, e o que separa “aquele-que-volta” de “aquele-que-é”, é somente a diferença entre o todo e o que dele sai; entre o mundo e a luz que sobre o mundo está.





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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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