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id da página: 1995 episteme - ciência, conhecimento, saber
episteme - ciência, conhecimento, saber
VIDE: gnosis, sophia, TRADIÇÃO FILOSÓFICA GREGA
Tg 3:13 - Quem dentre vós é sábio e entendido (epistemon)? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria.


Cristologia

Citações dos Padres - nosso site francês


Filosofia

Arcângelo Buzzi

Excertos de seu ensaio em "Ensaios de Filosofia"

Num primeiro plano, por certo perceptivelmente o mais fértil, a existência humana se realiza no saber da experiência sensível. Para realizar-se nessa sabedoria, a existência humana busca aprimorar-se numa forma de recebimento da realidade, que chamamos de sensação (aisthesis). No sabor da sensação a existência humana se agita e se intranquiliza no todo de seu ser, e pode decidir-se a só querer a realidade na representação 'restritiva' do senso ou do sentimento dos aspectos agradáveis e fugir dos aspectos desagradáveis.

A sensação, porém, mais que agitar a existência humana na busca sentimental do agradável e na fuga do desagradável, é fonte de irrupção da realidade, no sentido de anunciar algo estranho e irredutível ao sentimento. Assim, periciando a sensação, ultrapassando seu senso de agrado ou de desagrado estético e episódico, a existência humana, no embalo do pensamento, pode fazer a passagem para um saber superior (episteme) da realidade e dispor-se a realizá-la a partir desse superior saber. Ao conhecer mais profundamente a realidade, presente mas subtraída à sensação, a existência humana se auto-potencializa e pode realizar-se num plano ou numa estação de paz superior ao agitado tumulto dos sentimentos. Nessa estação de conhecimento (episteme) sábio da realidade, a existência humana, no turbilhão da sensação, é tocada pelo sentimento da liberdade. Melhor diríamos, a sensação se transforma em liberdade e jovialidade, isto é, na mais ampla e imperiosa disposição (simpatia) da existência humana de deixar-se atrair por um fenômeno real retraído e totalmente fora de nosso poder e projetos de criação.

Frei Hermógenes Harada

Excertos de "Ensaios de Filosofia

Usualmente entendemos a utilidade de uma coisa como serventia, no modo de meio para um fim, lançado de antemão, como objetivo de um plano. Diz-se que é útil se instrumento do projeto de planejamento. Antes, porém, de todos os nossos projetos e planejamentos há o uso. Uso, na acepção de usos e costumes. Costumamos dizer a utilidade da totalidade dos usos e costumes na expressão "no uso e na vida". Queremos com isso indicar o nosso habitar a Terra dos Homens. Assim, "no uso e na vida" refere-se a uma presença prévia, cotidiana e média, imperceptível, anônima e indeterminada, por ser imensidão e profundidade de envolvimento pré-jacente, a partir e dentro da qual surgem, crescem, se consumam e sucumbem multifáries planos e projetos que nos ocupam e nos preocupam. Todos nós, nos nossos afazeres, estamos em uso e em vida, como que de antemão sob o toque de um envio imenso, profundo e oculto, no qual somos usados e nos usamos, tornando-nos todas as coisas. Talvez possamos chamar esse toque do uso de utilidade originária de todas as coisas. Todas as nossas ações, o know-how das nossas atividades, recebem por fim sua orientação e a possibilidade de sua criatividade renovada, a partir dessa utilidade original. E o a partir de onde que constitui o sentido do ser de nós mesmos e do nosso mundo. Essa orientação prévia que vem do toque e envio do uso originário se chama em Eckhart saber. Trata-se aqui do sabor anterior, do a priori, que nos abre todo um mundo no seu surgir livre, como lance da possibilidade de ser. Todas as referências de um saber assim a priori se torna um dever, uma responsabilização da tarefa para o Homem. Por isso diz Mestre Eckhart: "Tu deves saber que". E o que devemos assim saber com responsabilidade de ser é que: o toque desvelante da possibilidade de ser da epocalidade medieval se chama deixar (v. wou-wei).

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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