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ONTOLOGIASER — ENTE

Filosofia

Segundo C. Dubois o ente (alemão Seiend) é um conceito fenomenológico que, no pensamento de Heidegger, não abarca em tudo que é nada mais do que isto: que ele é, a fim de se interrogar sobre seu ser e o sentido de seu ser. Assim, o conceito de ente aparece para um pensamento que repete a questão grega do ser/ente, e isso a partir da focalização da “diferença ontológica”.

O que é o ente? Aquilo que é, tal “coisa” que é enquanto ela é, e tudo aquilo que é. O ente logo se define por seu ser, pelo que faz que aquilo que é assim nomeado seja ente, e de modo algum não ente. Questionar o ente remete a seu ser. O ente não se apreender enquanto é senão em virtude de seu ser. Mas o ser, da mesma maneira, remete ao ente do qual ele é.

O que é o ente? O grego responde “to on”, aquilo que é, quer dizer “ta onta” (“ens”), mas também o ser do ente, “to einai” (“esse”). O ser do ente, é por conseguinte o que faz que o ente seja, e o que o faz ser aquilo que é, é a ousia, a “entidade” do ente. Demandar o que é o ente remete então a sua essência. Mas a essência do ente é de ser. Esquece o ser, o fato mesmo do ser do ente enquanto é, e não é “nada”, esquecer o ser para só considerar a essência, é esquecer o que é próprio do ente. Eis portanto a questão do ser que gira mais próxima do ente, questão do ser que considera o ser enquanto ser, não somente o ente em sua particularidade essencial, em sua quididade, e não somente o ser como um ente determinado.

O conhecimento tem duas direções: investigar o que é o ente, eventualmente diferenciado segundo regiões, buscar conhecê-lo como ente quanto a sua natureza, a sua essência, ou bem investigar o que é o ser do ente enquanto ser. Com esta segunda via aparece a “diferença ontológica” repensada por Hiedegger, a diferença radical do ser e do ente. O ser enquanto ser, em seu fundo, não pode se compreender como ente, mas somente na sua diferença para com o ente, do qual é o ser. A questão do ser, no horizonte da qual se torna possível pensar o ente, não deve es1quecer esta diferença essencial. Então se torna possível empreender uma “ontologia fundamental” que funda a compreensão ôntica do ente, e não seja mais uma “onto-teologia” confundindo um ente privilegiado com o ser. O que é o ente? Esta questão encaminha-se par seu “outro”: o que é o ser? (J.-L. Fidel, Les Notions philosophiques)

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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