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id da página: 3916 ARCHE OU ARKHE = PRINCÍPIO
PHILOKALIA-TERMOS — ARCHE OU ARKHE = PRINCÍPIO

VIDE: BERESHITH; PRINCÍPIO

WIKIPEDIA: Português, Inglês

LÉXICOS: TRADIÇÃO E SIMBOLISMO; Guénon; Schuon; princípio; Metafisica Cristã; Philokalia; Vocabulário da Filosofia

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. (Jo 1,1-2)


Filosofia

(Excertos de "Les Notions philosophiques", PUF 1990)
Ao mesmo tempo princípio e ordem, significações que se distanciam entre si no discurso histórico-político (ponto de partida do relato do historiador ou dos eventos relatados; magistratura exercida na cidade), mas não na investigação sobre a natureza, nem a filosofia: então Tucídides já distingue a arkhe da guerra do Peloponésio e sua causa, Aristóteles define a filosofia como “conhecimento das primeiras arkhai (primeiros princípios) e causas” (Met A2, 982 b9). Ele engloba assim na história da filosofia as investigações pré-socráticas sobre os elementos. Criticando seus predecessores de só terem tratado da causa material, ele estende a noção de arkhe além daquela de elemento: mais que um constituinte material, acessível ou não à experiência, a arkhe é o princípio explicativo do devir. As quatro causas da teoria aristotélica são assim quatro arkhai. A arkhe adquire um estatuto propriamente lógico, onde a questão dos princípios da realidade vem a se confundir com aquela dos princípios do raciocínio sobre a realidade. Aristóteles nomeia assim arkhai os axiomas donde parte e que respeita necessariamente toda demonstração, o mais fundamental sendo o princípio de não-contradição, ao mesmo tempo regra do discurso sensato e determinação dos entes (Met. Δ, 3 e 4).

Perenialistas

René Guénon: O GRÃO DE MOSTARDA
Para melhor compreender essa relação entre o germe do coração e Semente de Mostarda, é preciso nos reportarmos em primeiro lugar à doutrina hindu, que dá ao coração, enquanto centro do ser, o nome de "cidade divina" (Brahma-Pura) e, o que é notável, aplica à "cidade divina" expressões idênticas a algumas empregadas no Apocalipse para descrever a "Jerusalém Celeste".1 O Princípio divino, na medida em que reside no centro do ser, é muitas vezes designado simbolicamente como o "éter no coração", elemento primordial do qual procedem todos os demais que são naturalmente tomados para representar o Princípio. O éter (akasha) é a mesma coisa que o avir hebraico, de cujo mistério brota a luz (aor) que realiza a extensão pela sua irradiação no exterior,2 "fazendo do vazio (thohú) alguma coisa e do que não era o que é",3 enquanto que, por uma concentração correlativa a essa expressão luminosa, resta o iod no interior do coração, isto é, "o ponto oculto que se tornou manifesto", um em três e três em um.4 Mas, no momento, deixaremos de lado esse ponto de vista cosmogônico, para nos dedicarmos de preferência ao ponto de vista que diz respeito a um ser em particular, como é o caso do ser humano, tomando o cuidado de notar que existe entre esses dois pontos de vista, macrocósmico e microcósmico, uma correspondência analógica em virtude da qual é sempre possível a transposição de um para o outro.


NOTAS:

2. Cf. Le Règne de la quantité et les signes des temps, cap. III.
3. É o Fiat Lux (Yehi Aor) do Gênesis, primeira afirmação do Verbo Divino na obra da criação; vibração inicial que abre o caminho para o desenvolvimento das possibilidades contidas potencialmente, em estado "informe e vazio" (thohû va-bohû), no caos original (cf. Aperçus sur l'Initiation, cap. XLVI).


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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