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A volição, então, pareceria ser uma inferência ilusória, uma mera demonstração da parte de um conceito-eu energizado, resultando seja em frustração ou completude e portanto sendo a fonte e a explicação da noção de karma. Os seres sencientes são inteiramente "vividos" como tal, como frequentemente foi notado por filósofos e endossado por metafísicos, e o fenômeno psico-somático é inexoravelmente sujeito à causação. Eis porque seres sencientes como tal, como o Buda é creditado ter afirmado e reafirmado na Sutra do Diamante, não são como entidades. Por conta disso também, é porque, desde que fenômenos não são, numenalmente — embora não possam ser como entidades ou como qualquer coisa objetiva — apesar de tudo, são como númeno.

E númeno, por definição sendo integralmente destituído de qualquer elemento-traço de objetividade, não é, não pode ser, em qualquer sentido que seja — posto que todas as formas de ser devem necessariamente ser objetivas. Aqui a linguagem nos falha e deve ser deixada de lado como a jangada que nos carregou através do rio. Tudo que podemos dizer é algo como tal "isso, que todos os seres sencientes são, ele mesmo não é".

Se isso não é compreendido parecerá insatisfatório mas, se compreendido, parecerá luminoso e revelador, e por razões óbvias que a compreensão é "ela mesma", este númeno que somos.

Mas aqui o alerta eterno é necessário: fenômenos que, como o termo assevera, parecemos ser, nada são senão númeno, e númeno, que é tudo que somos, embora como tal ele mesmo não é, é um fenômeno (como sua aparência).

«Volição», portanto, embora não seja — é somente uma aparência fenomenicamente — é numenicamente e pode ser vista como uma objectivação da numenalidade. Como tal a conhecemos como buddhi e prajna, como visão-interior intuicional e, a conhecendo, é nós mesmos, tudo que somos, que — no conhecimento dela — estamos conhecendo, pois isto que somos é este conhecimento dela.

Tudo muito simples, evidentemente, até que tentamos objectificá-la em palavras.

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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