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page id: 7719 Pegando o tempo pelo topete

O buscador é o encontrado,
O buscado é o buscador,
Assim que percebido
Que não há Tempo

Pegando o tempo pelo topete

Quase todo mundo parece aceitar o tempo como se existisse absolutamente, pois de fato, quase sempre, tudo é discutido e analisado em um contexto temporal como se esta fosse a fundação indisputável de tudo que é conhecido.

A fundação, naturalmente, é, mas como pode ser visto como indisputável? Alguém jamais produziu qualquer traço de evidência de sua existência absoluta — exceto o fato que tudo depende de sua existência, o que é precisamente uma petição de princípio ou implorando a questão?

Portanto argumentar sobre a fatualidade de «coisas» como tais, todas sujeitas à duração, sem considerar a validade desta «duração» sobre a qual elas dependem inteiramente, pareceria ser uma lacuna singular na lógica de qualquer discussão. Devemos certamente admitir que até que a validade da aparente «duração» seja estabelecida a validade do que quer que dela possa depender, não pode ou ser estabelecida ou ser negada. É o fator primário, e deveria ter precedência sobre tudo mais.

Discutindo algo cuja existência é totalmente dependente de outro de cuja existência nenhuma evidência tenha sido aduzida, ou de fato possa ser aduzida, aparte do suposto algo sob discussão que é dependente deste outro, é de fato um desempenho de certa futilidade! E que corrente religiosa ou discussão metafísica não entra nesta categoria?

«Tempo» — e, naturalmente, «espaço» do qual é inseparável — é básico para todo fenômeno, pois sem extensão em duração e em volume um fenômeno não pode ter qualquer existência aparente em absoluto.

Sob exame «tempo» e «espaço» evidenciam-se como não tendo existência objetiva outra que como uma estrutura conceitual na mente, como fundo assumido sem o qual nenhum fenômeno poderia aparecer. «Tempo» e «espaço», portanto, deve ser inteiramente subjetivo. Um exame de perto revelará que representam uma dimensão a mais de mensuração (ou dimensão), conceitualmente um supervolume todo-abarcante constituindo o que está implicado pelo termo «subjetividade» ela mesma.

Metafisicamente expresso, podemos dizer que o eu-númeno manifesta objetivamente o que sou, em três direções de medição, por meio de uma quarta ou supervolume que é interpretado sensorialmente pela mente-dividida como o que é conhecido como «espaço-tempo.

Se objetivamente «espaço-tempo» não existe como qualquer «coisa» perceptível ou cogniscível, isso deve ser porque só pode ser uma expressão da não-objetividade a qual é percepção e cognição, e que é o que somos.

O que então é «espaço-tempo»? Pode ser tentativamente definido como o supervolume do qual observamos, interpretado em um universo tridimensional como extensão, por meio de uma duração consecutiva deste aparente universo tridimensional.


O «passado» é uma memória,
O «futuro» é uma suposição,
O «presente» passou antes que o apreendêssemos1 .
O único «presente» portanto é a presença e deve necessariamente ser o somos.
Tal presença, então, está inevitavelmente fora do tempo e deve ser «intemporal».


NOTAS:
1 O processo de percepção e concepção são complicados e requerem um lapso de tempo para sua compleição.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)