Loading...
 
page id: 3418 REALIDADE E MANIFESTAÇÃO I
TEXTO ORIGINAL

Aspectos do Não-Ser, 1


É menos o que se é, que deveria importar, do que o que não se é.

Adquirir conhecimento não deveria ser nossa primeira meta, mas ao invés nos livrar da ignorância — que é falso conhecimento.

As qualidades que possuímos nunca deveriam ser uma questão de satisfação, mas as qualidades que descartamos.

Se Caridade (compaixão), Simplicidade e Humildade são desejáveis como atributos é porque dependem da eliminação de qualidades que foram descartadas.


Atrás do Condicionado está o Incondicionado. Atrás do Ser está o Não-Ser. Atrás da Ação está a Não-Ação (não a inação). Atrás de Mim estão Não-Mim. "Eu sou Não-Eu, portanto Eu sou Eu: a Prajnaparamita Sutra dizia isto mil anos atrás. Transforme Eu em "Não-Eu" e então "Não-Eu" se tornará Eu. Só Deus é Eu (Eu sou só Eu na medida que Eu sou Deus ou o Absoluto, i.e. meu Princípio).

Não seria um de nossos erros elementares imaginar que "fazemos" coisas? Não parece igualmente provável que coisas nos "fazem"? Cremos que desempenhamos uma série indefinida de ações, mas a verdade pode ser que uma série indefinida de ações nos faz desempenhar. Pensamos que manipulamos eventos, mas não somos ao invés manipulados pelos eventos? Pensamos que vamos ao encontro daquilo que experimentamos, mas aquilo que experimentamos pode estar vindo ao nosso encontro. É talvez uma ilusão que "vivemos": nós somos "vividos".

Tome a vida como se dá, afirmamos — isto é estar consciente que é a vida que nos vem e não nós que vamos para vida.

O que chamamos "vida" é somente coisas que acontecem. Uma personalidade patente (adquirida) reage à vida com estados de mente. A personalidade latente deveria ser não afetada pela "vida": não necessita "fazer e está contente em "ser".

A natureza buda é a natureza incondicionada.

Não cabe a nós buscar mas permanecer quieto, alcançar a Imobilidade não a Ação.

Existimos somente no instante: não existimos como uma continuidade, como supomos. Nossa aparente existência de dia a dia, ano a ano, é uma ilusão; mas existimos em cada instante entre o compasso do relógio do Tempo, cada instante, nenhum dos quais somos rápidos o suficiente para perceber.


Online Users

1 online user

Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)