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Realidade e Manifestação II

Só estamos cientes do aspecto do universo que os sentidos que possuímos são capazes de nos informar.

Um inseto com antenas pode só ter um sentido: sua cognição do universo deve ser restrita relativamente a nós. Um homem nascido cego é cognoscente de menos do universo que um homem com vista. Um animal com cinco sentidos somente: tem uma psique e a usa mas, tendo perceptos sem conceitos, é improvável ser cognoscente disto. Um homem tem seis sentidos — como a psicologia oriental sempre compreendeu — pois é cognoscente daquele aspecto do universo que é sua mente. Se temos mais sentidos podemos supôr que deveríamos nos tornar cognoscentes de mais aspectos do universo. Imaginar que o universo é restrito àquilo que estamos cognoscentes é provavelmente tão mal fundado em nosso caso como naquele do inseto.

Na escala de cor somos capazes de distinguir sete graus, e o que é escuridão para nós não é escuridão para o gato, enquanto que o que é escuridão para pássaros não o é para nós.

Na escala do odor muitos animais têm um domínio mais amplo do que temos.

Nas escalas do tato e da audição morcego cego tem uma sensibilidade maior que a nossa, como é o caso com determinados insetos.

Nossos sentidos têm um domínio mais limitado do que aqueles de muitas outras criaturas, e um domínio mais amplo do que de alguns. Nesse grau a extensão de nosso conhecimento do universo é menor, ou maior, que deles. Nesse grau temos evidências experimentais que o universo é menos, ou mais, restrito do que aquele que conhecemos.

O "Nascimento" parece como se fosse uma materialização na tridimensionalidade de energia de dimensões além da capacidade perceptiva de nossos sentidos. Assim visto, o "nascimento" se torna um ponto arbitrário em um processo de crescimento.

Quando este processo alcança um certo estágio de desenvolvimento o fator energético parece ser retirado, o que resulta na dissolução da materialização tridimensional em constituintes químicos dos quais foi construída. Este incidente é conhecido como "morte".

Mas só estamos cognoscentes do aspecto tridimensional deste fenômeno, conhecido como uma "vida", apresentado a nós pelos nossos sentidos de modo serial no Tempo. Os segmentos tridimensionais, os quais são tudo que podemos ver de nossa totalidade quadrimensional (a qual é composta de tudo que o ser "vivo" tem sido desde o "nascimento" mas tudo que será até a "morte"), deveria existir simultaneamente e compor um "entidade". Além do mais na dimensão acima ortogonalmente cada momento dessa "vida", sendo uma intercessão do Tempo e da Eternidade, eternamente existe. Não pode, portanto, haver nenhum fim à "vida", cada momento da qual deveria existir simultaneamente e para sempre.

Se mais sentidos nos habilitassem a nos tornar cognoscentes de mais aspectos do universo poderíamos esperar perceber indivíduos, de vários gêneros, associados em um maneira reminiscente das folhas de uma árvore — todas "crescendo" em um ramo, todas ligadas a um tronco, todas alimentando-se pelas mesmas raízes. Isso, talvez, seja porque gatos são gatos, todos e sempre gatos, e porque todos os homens têm percepções aproximadamente idênticas de tudo que são capazes de conhecer no universo.

Toda cognição é subjetiva. Similarmente nas percepções de indivíduos dentro de um gênero podem ser devidas à identidade básica.

A realidade objetiva do universo, se tal pode ser suposto existir, deve para sempre ser desconhecida para o homem assim como para o micróbio.

É o sexto sentido do homem, sua cognição de sua própria mente, e isso somente, que o diferencia dos animais, e o dá a superioridade técnica que clama.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)