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OLHAR — VER - VISÃO

VIDE: OLHAR, OLHO, GNOSIS, GNOSE, PROFECIA; CEGUEIRA E SURDEZ

EVANGELHO DE JESUS: MILAGRES DE JESUS: DOIS CEGOS; CEGO DE BETSAIDA; NASCIDO CEGO

PERENIALISTAS
Roberto Pla
Não há que se esquecer a regra de ouro para alcançar a fiel compreensão do processo do conhecimento: quando o olho vê, não é o olho quem vê, senão a alma, pois o olho é seu instrumento; mais ainda, quando a alma “vê”, não é a alma quem “vê”, senão o Vivente, pois este, ainda que desconhecido (invisível) para a alma, a razão, a mente, resulta ser sempre a única causa primeira. Isto implica que o espectador de todos os atos de consciência – o espectador, nunca o ator – é sempre o Vivente que reside no fundo do poço, mas mais além das águas.

Ananda Coomparaswamy: SOPROS E CORRENTES
«Quienquiera que ve, es por su rayo que ve», Jaiminiya Upanishad Brahmana I.28.8; «en mí hay otro, por quien estos ojos brillan», Rumi, Diwan, oda XXXVI. Se debe a que él mira hacia afuera desde dentro de nosotros por lo que nosotros no le vemos; para ver a quien es el «solo veedor, él mismo invisible» (Brhadaranyaka Upanishad III.7.23), nuestro ojo debe ser vuelto (avrtta caksus, Katha Upanishad IV.1). En otras palabras, no es con el ojo sensorial, sino con el del corazón o de la mente como uno debe buscar-le. La tentativa de Rawson (Katha Upanishad, 1924, p. 149) de demostrar que Platón sostenía un punto de vista opuesto es ridícula; ver El Banquete 219, Fedón 83B, y especialmente República 526E, donde, para facilitar una aprehensión del Bien, debemos seguir «esos estudios que fuerzan al alma a volver su visión a la región donde mora la parte más eudemónica de lo Real, que yo más necesito ver», y Filebo 61E, donde la visión es, ya sea de las cosas transitorias, o ya sea de las inmutables. De hecho, la conversión (metastrophe, avrrtti, volverse) es, «un término filosófico que Platón inventó para describir el giro del alma desde el mundo de la opinión y el error al principio del ser verdadero» (Werner Jaeger, Humanism and Theology, Milwaukee, 1943, notas 55, 58).


CABALA
Paul Nothomb: ÇA OU L'HISTOIRE DE LA POMME RACONTÉE AUX ADULTES

No episódio do Gênesis 2 envolvendo Eva Serpente Maçã, após comer algo (o quê?, pois o termo maçã não consta do texto), mesmo a Árvore do Conhecimento tendo desaparecido do cenário, a cena continua. Doravante, em todo caso, esta árvore será coisa do passado. Mas a serpente não se enganou de todo, ou não enganou completamente seu mundo, posto que logo em seguida ao ato ou o simulacro incriminado, o texto confirma que "os olhos dos dois se abriram" como ela havia predito à Eva. Metáfora ou despertar? Certamente alguma coisa vai lhes ser revelada, mas note-se que, desde que Adão foi mergulhado em um sono profundo por Deus, o que dele é retirado e o contraposto como sua parceira, passa a atuar, envolvendo-se com a serpente. Seu diálogo com a serpente, como sua amputação da árvore (v. Eva Serpente Maçã), pode soar tanto como sonho, no prolongamento do sono profundo, o que explicaria a passividade de Adão em todo relato, e a fluidez de sua pretensa visão e de seu ato. O relato é um mito certamente no qual tudo é permitido, mas onde tudo pode ser significativo. Esta metamorfose ou esta continuidade, como este ato ou simulacro dão o mesmo sentimento de irrealidade, de virtual, de puramente simbólico, superando o debate entre "ver" e "saber" do discurso.

Depois de "os olhos dos dois se abriram" com efeito, não é o "e eles viram" esperado mas o "e eles souberam", que se segue. Até aqui Eva privilegiava o "ver" e a serpente o "saber". Mas o Conhecimento direto é uma representação assim como o raciocínio mais abstrato, mesmo se é uma representação inconsciente, automática. A obra do entendimento mais que do intelecto. Ao redor da Árvore do Conhecimento e antes do ato ou simulacro, Eva "vê" mas também interpreta. Ela "vê" que a árvore é bela, mas disto deduz que é comestível, apta a desenvolver a inteligência, o que ela não pode "ver" mas pretende "saber". Sua construção mental do que ela supõe ser a realidade é dupla. Ela inventa. O desafio do debate introduzido por este texto é, nem mais nem menos, o que se nomeia a Verdade, sem poder exatamente a definir.

Que "souberam" Adão e Eva, em abrindo os olhos metaforicamente ou não? Em se despertando ou em tomando consciência de sua nova situação? É preciso desconfiar das interpretações ligadas a uma visão estreita do pecado original, muitas das vezes carregadas de puritanismo exacerbado. O texto diz literalmente: "Eles souberam que nus eles", o que quer dizer: eles souberam que originalmente eles são livres, e que não são mais, justamente em se despertando do sono profundo de um dos dois, o outro em tendo aproveitado para se auto-degradar em um casal cujos dois membros descobrem sua decadência. É esta descoberta, esta visão, que os faz se esconder quando ouvem a voz de Deus que os busca ou melhor que o busca, o Adão Um e múltiplo que crê sempre Um e múltiplo.

SUFISMO
Ibn Khaldun: VISÃO ESPIRITUAL

Henry Corbin: O HOMEM DE LUZ NO SUFISMO IRANIANO
Fundamento y práctica de esta hermenéutica espiritual o esotérica están ligados en realidad a una metafísica de la luz que tiene principalmente su fuente en el Ishrâq de Sohravardi, y que opera de forma similar entre los ishrâqîyûn, los sufíes y los ismailíes. En Semnânî, la fisiología de los órganos de luz, la antropología mística, acentúa aún más la conexión. Es un fenómeno que tiene su correspondencia en la Escolástica latina, donde el interés por los tratados de óptica, los tratados de perspectiva, estaba presidido por la preocupación de vincular la ciencia de la luz con la teología, lo mismo que se hace aquí con la hermenéutica coránica. La implicación de las leyes de la óptica en el texto sagrado inspira la exégesis de un Bartolomeo de Bolonia: «Si la óptica conoce siete modos de participación de los cuerpos en la luz, Bartolomeo encuentra siete modos correspondientes de participación de los intelectos angélicos y humanos en la luz divina». Ya Asín Palacios se había percatado de la existencia de una afinidad esencial entre la hermenéutica de los esoteristas del Islam y la de Roger Bacon. De una y otra parte, lejos se está de proceder arbitrariamente, pues no se hace en suma más que aplicar las leyes de la óptica y la perspectiva a la interpretación espiritual de los textos sagrados. Es también esta aplicación de las leyes de la perspectiva lo que hace posibles los diagramas del mundo espiritual, tanto entre los ismailíes como en la escuela de Ibn Arabi. Una investigación comparada de conjunto debería, claro está, incluir aquí los procedimientos utilizados en las interpretaciones bíblicas por los teósofos protestantes de la escuela de Jacob Boehme.

FILOSOFIA
Raymond Abellio: VER

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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