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ÍNDIAVEDANTA — UPANIXADES

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Retirado da tese de doutorado de Selma de Vieira Velho - A Influência da Mitologia Hindu na Literatura Portuguesa dos Séculos XVI e XVII.

UPANIXADE é um termo que se explica como UPA + NI + XADE, isto é sentar-se perto de alguém, numa óbvia indicação de ser a sabedoria transmitida através da relação entre o discípulo e o mestre. O seu ponto de partida é a manifestação da experiência individual, base de exploração da natureza das realidades subjetiva e objetiva. O seu veículo é uma mente preparada a indagar continuamente os caminhos da sabedoria que vai para além da mera informação, porque tem a função de estimular sistematicamente a ponderação, a percepção, a reflexão e a serenidade do espírito.

Os Upanixades têm a dupla finalidade de estabelecer (a) a Unidade Transcendental do Universo, e (b) o lugar do Homem nesse mesmo Universo. Tudo quanto existe é em si um universo individual de movimentos no movimento universal. Embora no mundo de fenômenos físicos tudo se altere e se transforme em mudanças e posições relativas de harmonias e contrastes, a soma total de todos esses movimentos e mudanças heterogêneas é eternamente fixa a invariável. Tudo quando existe neste mundo existe também no outro, e vice-versa, porque a unidade transcendental do universo é uma necessidade pré-ordenada na filosofia Hindu1 que insiste ser ela a soma total, invariável e eternamente a mesma nas mais variadas e díspares frações das transformações que o mundo possa apresentar.

Segundo Alyette Degrâces-Fahd, o abandono a Deus, a ruptura, corresponde à etimologia mesma da palavra upanishad tal como a dá Sankara, o grande comentador metafísico do século VIII, fundador do Vedanta não-dualista (advaita), em sua introdução à Katha Upanishad; ele faz derivar esta palavra de uma raiz SAD que significa cortar, romper ou perder. A esta raiz adicionam-se os prefixos upa (ideia de se aproximar) e ni (movimento para o interior, mudança na ação, retorno à origem). «Chama-se o conhecimento, upanishad, em virtude da análise etimológica: ele corta, ele destrói os germes da existência terrestre, tais como a ignorância [...] naqueles que buscam a libertação. Quando eles alcançaram a se desprender de suas tendências pelos objetos visíveis e invisíveis, eles abordam (upa-sad) o conhecimento que se chama upanishad e que compreende as características dadas aqui; posto que eles se doam com determinação e certeza (ni) [...] é o conhecimento do brahman que se chama upanishad, por causa da conformidade com a ideia de conduzir ao brahman [...]. O conhecimento do fogo que precedeu os mundos, nascido do brahman, dotado da faculdade de iluminação [...] se chama upanishad, a raiz SAD deve ser tomada no sentido de perder, neste sentido ela destrói uma multidão de males como nascer e envelhecer».


Textos na Internet

Textos: (apresentações e excertos)

Perenialistas

René Guénon:
O HOMEM E SEU DEVIR SEGUNDO O VEDANTA
INTRODUÇÃO GERAL AO ESTUDO DAS DOUTRINAS HINDUS

LÉXICOS: Guénon; Schuon; Coomaraswamy

NOTAS:

1. "O que existe neste mundo, também existe no outro: e o que existe no outro também existe cá: aquele que julga ver diferenças nisso, vagueia da morte para a morte. É através do pensamento que temos de compreender que, na realidade, neste mundo, nada varia: aquele que julga ver variedades, e não a unidade, vagueia de morte para a morte".
KATHA UPANIXADE: Ciclo2. Cap.I, Ver 10-11.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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