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id da página: 4083 TRANSCENDÊNCIA — IMANÊNCIA (Em cache)
DIVINO — TRANSCENDÊNCIA — IMANÊNCIA

VIDE: Alan Watts Deus

LÉXICOS: TRADIÇÃO E SIMBOLISMO; Guénon; Schuon; Coomaraswamy; Metafisica Cristã; Vocabulário da Filosofia

PERENIALISTAS: TRANSCENDÊNCIA E IMANÊNCIA

Tema maior, que se reflete no debate entre monoteísmo e politeísmo, é questão que acompanha a tradição religiosa, em busca de uma justa formulação de Deus no tocante a estes aspectos ou qualidades.

Filosofia

Arcângelo Buzzi

O homem jamais se deixa aprisionar. Malgrado as civilizações, as doutrinas, as estruturas, as metafísicas, ele permanece em sua essência uma abertura: é impulso para fora de sua situação organizada, é transcendência, é existência. Sua consistência está em viver a situação dialogando com o vigor que o transcende. O que o torna consistente, firme no seu ser, é o estar junto (cum-sistere) com o que o transcende. O humano cresce, consiste, na medida em que estiver solidário à vida que é sua transcendência. Nisso reside sua força e sua fraqueza. Seu viver é constante risco de perder-se, evadindo-se para uma transcendência desencarnada ou fazendo-se prisioneiro de uma imanência sem abertura.

A transcendência não é negação da imanência com todas as suas concretas determinações. É apenas um movimento de caminhada, o vigor que essencializa o humano, que o torna sempre mais existência, sempre mais consistência. O homem precisa de suas determinações para poder colocar sua transcendência, como a árvore precisa da terra para buscar o espaço livre acima da terra, o céu transcendente à terra.


Stanislas Breton

A imanência é uma perfeição que, de si, em sua «simples essência», não comporta qualquer sombra de imperfeição ou de limite. Dir-se-ia, com a bela candura que se observa em nossos textos medievais, que «vale melhor tê-la que não tê-la». Não creio trair este pensamento medieval, se aí incluo, aquém de sua letra, o equivalente de um argumento ontológico, sob uma forma um pouco diferente da formulação tradicional. Diria portanto da imanência, enquanto perfeição pura: ela merece ser; merecendo ser, ela deve ser; devendo ser, ela é real possibilidade de existir. Em outros termos: é preciso que ela seja. Mas de que maneira? Tendo em vista a plasticiade de uma perfeição que, de si, não requer o fechamento em uma espécie, a imanência se presta a uma variabilidade de realização, segundo o mais ou o menos de sua intensidade. Prevê-se desde então uma pluralidade de escansões que estagiariam diversos graus em um «intervalo de universo». O princípio que rege esta distribuição ordenada é formulado por Tomás de Aquino nestes termos: «mais uma natureza é elevada, mais lhe é íntimo o que dela emana». O vivente verifica tanto melhor a excelência que o define, quanto se verifica, em sua estrita reciprocidade, no íntimo do singular, a imanência da operação e da fecundidade do movimento processivo. Entre as duas vertentes do agir, a proporção deve ser tal que o máximo do primeiro é também o pico do segundo. No limite, e se se aceita o axioma complementar, segundo o qual «o mais e o menos se dizem, e existem, em relação a um supremo», é fácil pressentir, nos dois extremos de uma vertical de ascensão, o grau zero de imanência, e na glória do cimo, o absoluto do ser e da vida, mais exatamente, como se terá ocasião de precisá-lo, a perfeita identidade do ser, da vida, e do pensamento, infrangível ternário, que antecipa a economia teológica da Trindade cristã, em seu desenvolvimento especulativo.

Jean-François Duval: HEIDEGGER ET LE ZEN

«A transcendência, na aceitação iluminante e designante de sua significação, exprime (meint) algo que pertence propriamente à situação concernida (Dasein) do ser humano, e isto não como um comportamento possível entre outros, nem não mais como uma atitude que seria realizada de tempo em tempo, mas enquanto constituição fundamental (Grundverfassung) deste existente, antes de todo comportamento particular de sua parte.»

A transcendência define assim a constituição fundamental do ser humano. Ela define a capacidade que tem de quebrar a clausura de seu ambiente para se abrir a «algo» que não pode de prima nomear, horizonte de sua espera e de sua atração, e que se revela propriamente ser «o» Mundo, «além», «aquém», «alhures» que todos os «aqui» e todos os «agora». O ser humano vê o que não vê; habita onde não sabe morar; é aberto a «o que» se fecha e se recusa a ele. Mas pelo menos a abertura ao Alhures permanece a honra de sua impossível definição: «Ser-um-sujeito isso se chama: ser um vivente (Seiendes) em transcendência e como transcendência».

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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