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id da página: 10560 CONSCIENTE E SUBCONSCIENTE
PRESENÇACONSCIÊNCIA E SUBCONSCIÊNCIA


VIDE: ANIMA

É preciso fazer uma distinção entre termos que em inglês se apresentam nas referências de G à presença comum de um ente tricerebral, quais sejam: conscience, consciousness, awareness, sentience.

Opto por traduzir conscience por consciência, ou melhor dito, consciência moral, com o sentido mais forte de caráter ético; consciousness traduzo eventualmente por consciência, mas de acordo com o contexto se vê guardada a distinção da «consciência moral», dita anteriormente, pois neste caso, se refere especialmente ao consciente, explicado a seguir; consciousness, enquanto propriedade da consciência presente, poderia ser traduzida por ser-ciente ou estar-ciente, desde que se entenda no sentido verbal mas também substantivo. Por outro lado, awareness, poderia ser melhor traduzido por "estar-se-dando-conta", ou como propomos para consciousness; já sentience, ficaria bem traduzida por senciência.

Considero que tendo a língua inglesa definido termos distintos, é porque quer se referir a aspectos distintos de nossa presença comum, como denomina G; o que neste caso enriquece à reflexão sobre a consciência.


Segundo Richard Defouw, de acordo com G, qualquer ente tricerebral possui dois conscientes: «consciente de vigília» e subconsciente. Esta afirmação, certamente, nada tem de revolucionário, exceto talvez os termos inventados para distanciar dos comumente usados. O próprio G em reuniões anteriores à escrita de Relatos de Belzebu, registradas por seus discípulos usa os termos Essência e Personalidade, para o que vai ser explicado como «subconsciente» e «consciente».

G afirma, em Relatos de Belzebu, que o consciente que é predominante durante nossa existência de vigília não é o consciente real em absoluto; o subconsciente, este sim, é o genuíno consciente, e assim é o subconsciente que deveria ter o predomínio em nosso estado de vigília.

B diz que o que é usualmente chamado «consciente de vigília»

nada mais é senão apenas a ação do funcionamento automático que procede nas presenças comuns de todos os entes em geral..., graças aos choques repetidos vindo de fora, que evocam reações habituais dos dados cristalizados neles correspondendo a impressões previamente acidentalmente percebidas. (RBN II-39)


Assim, o «consciente de vigília», que G chama o falso ou fictício consciente, é meramente um mecanismo associativo, um processo no qual novas percepções automaticamente evocam associações de impressões anteriormente registradas. Os dados para este consciente consistem das impressões do mundo exterior que acumularam em nós. assim sendo, este consciente é algo implantado em nós de fora, e tem mínima conexão com nosso ente interior. Nestas explanações concernentes os entes tricerebrais do planeta Terra, B diz que a coleção de impressões externas

gradualmente segrega a si mesma em suas presenças comuns e adquire seu próprio funcionamento independente, conectado somente com o funcionamento do corpo planetário tanto quanto é necessário meramente para sua manifestação automática, e a totalidade destas percepções artificiais é então percebidas por eles, devido a sua ingenuidade, como sua real «consciência». (RBN II-32)


O «consciente de vigília» ordinário tem uma mínima conexão com o corpo planetário:

Embora uma tal «localização» das «impressões» acidentalmente percebidas seja encontrada neles e embora eles estejam cientes de sua ação, no entanto, a respeito de qualquer funcionamento inerente a seu corpo planetário assim como a respeito da aquisição em sua presença comum da Razão-Objetiva, ela não desempenha parte alguma. (RBN II-32)


Posto que a conexão entre «consciente de vigília» e o corpo é tênue, é óbvio que a completa sensação do todo de si mesmo não pode ser alcançada através deste consciente.

A subconsciente, por outro lado, tem uma conexão próxima com o corpo planetário. Suspendendo a ação do falso consciente por meios hipnóticos, diz B, confere a

os dados sagrados de seu genuíno consciente a possibilidade de miscigenação sem impedimentos com o funcionamento total do corpo planetário durante o período de seu estado de vigília. (RBN II-32)


B menciona esta miscigenação do subconsciente com o funcionamento total do corpo planetário no contexto de curas hipnóticas para desarmonias corporais. Entretanto, podemos antecipar que o subconsciente, o genuíno consciente de acordo com G, deve ser a avenida pela qual se pode alcançar a completa sensação do todo de si mesmo.

Quando B descreve sua atividades como hipnotista, menciona um método que inventou para trazer pessoas a um estado hipnótico. Por meio de «uma certa constrição do movimento do sangue em certos vasos sanguíneos», ele reporta, «seu consciente real, ou seja, aquele que eles mesmos chamam subconsciente começa também a funcionar». B diz que seu método era mais confiável do que o método comum que consiste em fazer o sujeito olhar para um objeto brilhante. O método comum também induz o estado hipnótico através de uma mudança na circulação sanguínea, mas o principal fator para esta mudança, na ausência de uma constrição mecânica da circulação, é

a concentração intencional e automática do pensamento e sentimento do sujeito.

E este último pode ser obtido... seja de uma intensa expectação, ou do processo... que eles expressam pela palavra «», ou de surgimento da emoção da sensação de medo de algo prestes a acontecer...

Eis porque em entes chamados «histéricos», nos quais é perdida temporariamente ou para sempre a possibilidade de concentração de «pensamento» e «sentimento», é impossível por meios de fixação de seu olhar sobre um objeto brilhante obter em sua circulação sanguínea a mudança... do «preenchimento-dos-vasos-sanguíneos», e por conseguinte é também impossível obter neles este dito estado hipnótico. (RBN II-32)


O incidente do campo de tiro de artilharia, onde o jovem G esperava morrer à medida que os obuses explodiam sobre sua cabeça, preenche completamente o requerimento de «intensa expectação» ou de «surgimento da emoção da sensação de medo de algo prestes a acontecer». Que esta experiência foi acompanhada por uma incrementada concentração de pensamento e sentimento está estabelecido na citação em EU TODO, onde G recorda a «intensidade de sentimento que me inundou» e escreve que «a cada momento, pensei e experimentei mais do que durante um ano inteiro». Assim, as condições para um estado hipnótico estabeleceram-se; o relato demonstra o funcionamento intensivo do subconsciente. O único aspecto da experiência que não foi parte da causa do funcionamento intensivo do que G chamou «a total sensação de mim mesmo». Assim somos levados a identificar o funcionamento intensivo do subconsciente com a completa sensação do todo de si mesmo. Isto se reconcilia com a caracterização de G do «Eu» como

o resultado composto de consciente, subconsciente e instinto. (RBN I-1)


Para complementar este entendimento de consciente e subconsciente, conforme apresentado por G, através destas citações de Relatos de Belzebu, é possível recorrer ao que o próprio G fala sobre Essência e Personalidade, a seus discípulos em Fragmentos e em compilações de seus encontros, reproduzidos em diferentes livros.

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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