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ATMAN — SI OU SI MESMO

VIDE: Atma; Eu; Jivatma; Consciência de Si; Conhecimento de Si

Perenialistas

René Guénon: DISTINÇÃO FUNDAMENTAL ENTRE O «SI MESMO» E O «EU»

O "Si mesmo" é o princípio transcendente e permanente cujo ser manifestado, o ser humano por exemplo, não é senão uma modificação transitória e contingente, modificação que não poderia de resto afetar de modo algum o princípio, assim como o explicaremos a seguir. O "Si mesmo", enquanto tal, jamais é individualizado, e não pode sê-lo, pois, devendo ser sempre visado sob o aspecto da eternidade e da imutabilidade que são os atributos necessários do Ser puro, ele não é evidentemente susceptível de nenhuma particularização, que o faria ser "outro que si mesmo". Imutável em sua natureza própria, ele desenvolve somente as possibilidades indefinidas que comporta em si mesmo, pela passagem relativa da potência ao ato através de uma indefinidade de graus, e isso sem que sua permanência essencial disso seja afetada, precisamente porque essa passagem não é senão relativa, e porque esse desenvolvimento só existe, a bem dizer, tanto quanto o vemos do lado da manifestação, fora da qual não pode ser questão de sucessão alguma, mas somente de uma perfeita simultaneidade, de sorte que isso mesmo que é virtual sob certo aspecto não se encontra menos realizado no "eterno presente". A respeito da manifestação, pode-se dizer que o "Si mesmo" desenvolve suas possibilidades em todas as modalidades de realização, em multitude indefinida, que são para o ser integral tantos estados diferentes, estados dos quais somente um, submetido a condições de existência muito especiais que o definem, constitui a porção, ou melhor a determinação particular deste ser que é a individualidade humana. O "Si mesmo" é assim o princípio pelo qual existem, cada um em seu domínio próprio, todos os estados do ser; e isso deve se entender, não somente dos estados manifestados que acabamos de falar, individuais como o estado humano ou supra-individuais, mas também, embora a palavra "existir" se torne então imprópria, do estado não-manifestado, compreendendo todas as possibilidades que não são susceptíveis de qualquer manifestação, ao mesmo tempo que as possibilidades de manifestação elas mesmas em modo principial; mas este "Si mesmo" não é senão por si, não tendo e nem podendo ter, na unidade total e indivisível de sua natureza íntima, qualquer princípio que lhe seja exterior. Teologicamente, quando se diz que "Deus é pura mente", é provável que isso não se deva entender no sentido onde "mente" se opõe a "matéria" e onde esses dois termos podem entender-se um em relação ao outro, pois assim se chegaria a uma concepção "demiúrgica" mais ou menos vizinha àquela que se atribui ao Maniqueísmo; também é verdade que uma tal expressão pode causar facilmente falsas interpretações, chegando a substituir o Ser puro por "um ser".

Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
A interpretação do sujeito puro — ou da pura subjetividade —, como leva à superação da cisão sujeito-objeto, fundamenta-se na noção do divino "si-mesmo", cuja objetivação é Maya, Ishwara, Buddhi, Samsara, portanto, o Universo, de etapa em etapa.


Ananda Coomaraswamy: BUDA - SI MESMO; SI MESMO

Assim “Aquele que outorga-ipseidade (“Um enquanto aí e muitos enquanto em seus filhos aqui”, Bhagavad Gita) se torna único rei do mundo-cambiante … se torna senhor dos seres-elementais; e quando toma sua posição, todos os deuses o equipam; pondo no 'reino-o-poder-e-a-glória', procede, auto-ilumina … A ele, o grande Daimon no meio do mundo-do-ser, os suportes-do-reino aportam tributo … e todos os seres-elementais preparam-se para ele, clamando, 'Aqui vem Brahma!' (eu diria: 'Hosana nas alturas! Bem-vindo aquele que vem em nome do Senhor!', vide Dia de Ramos) e assim como homens cercam um rei quando se apronta para uma viagem, do mesmo modo, quando o tempo chega, todos estes sopros (Prana) reúnem-se cerca do Si mesmo quando 'Este-Um' (Brahma) aspira” (Veda.

O QUE É CIVILIZAÇÃO?
Conhecer a própria mente é "conhecer-se a si mesmo" ou "amar a si próprio" no sentido superior de Aristóteles (Nich. Eth. IX.8), Hermes (Lib IV.6B), Santo Tomás de Aquino (Sum. Theol. II-II.26.4) e os Upanixades (BU.II.4 etc).

Contudo, o olho que não "se conhece a si mesmo" não vê nada a não ser ele próprio (este homem, Fulano) e não vê o "Eu imortal de si mesmo" (MU. VI.7), a "Alma da alma" de Fílon. A imagem que é vista de fato num espelho pela faculdade intrínseca do olho é circunstancial, não faz parte da minha essência. Apesar disso, o nosso eu é um reflexo do Eu numa semelhança que, apesar de imperfeita, é passível de ser aperfeiçoada.


Filosofia

Michel Henry: EU SOU A VERDADESI MESMO

Anthony Damiani: ASTRONOESIS
«Sobre-Si» é um termo de Paul Brunton para indicar eu ou alma superior. Sobre-Si é o ponto de encontro do humano e do divino. É um fragmento ou partícula do divino, uma «raio brilhando do» divino, mas não o Sol ele mesmo. Em certo sentido o Sobre-Si é o núcleo de um indivíduo e em outro sentido o indivíduo é sustentado pelo Sobre-Si.

LÉXICOS: Guénon; Schuon; Coomaraswamy; Vocabulário da Filosofia


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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