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VIDE: ABBA; AQUELE QUE ME ENVIOU; DEUS; CRISTO

CRISTOLOGIA
Ernst Benz: Excertos de "Descrição do Cristianismo"

O elemento decididamente novo da cristã em Deus, no Novo Testamento, é sua íntima ligação com a pessoa, a doutrina e a obra de Jesus Cristo, de tal sorte que se torna difícil estabelecer a linha divisória entre a doutrina sobre Deus e a Cristologia. Jesus mesmo professou o Deus dos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó (Mc 12,26), mas ele se autocompreende como sendo o cumprimento da promessa do Messias Filho do Homem, que se identifica com o Filho de Deus, aquele que estabelece o Reino de Deus. Para a experiência religiosa que está por trás do autoconhecimento messiânico de Jesus a consciência de o Messias Filho do Homem ser o Filho de Deus desempenha um papel decisivo. A relação particular de Jesus com Deus se expressa pelo fato de Jesus o chamar de Pai. Nas orações Jesus emprega para Deus (Mc 14,36) a palavra "Abba", que não é usual na linguagem religiosa comum do judaísmo e que só é empregada pelas crianças, referindo-se ao seu pai terreno (papai). Esta relação Pai-Filho passa a ser o modelo para a relação do cristão com o seu Deus. No evoluir da autocompreensão messiânica de Jesus o chamado à filiação divina desempenhou um papel decisivo. Segundo o relato do batismo ele se deu pela voz vinda do céu: "Este é meu Filho amado em que ponho minha afeição" (Mt 3,17; Mc 1,11; Lc 3,22). Segundo o Evangelho de João esta filiação é a base da autoconsciência de Jesus: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10,30). A no Filho faz com que seja realidade também a unidade com o Pai. O Filho torna-se o mediador da glória do Pai para os que nele creem. Em sua oração sacerdotal (Jo 17,22-23) Jesus diz: "Dei-lhes a glória que tu me deste, a fim de que sejam um como nós somos um, eu neles e tu em mim, para que sejam consumados na unidade". Na oração que, a pedido deles, Jesus ensinou aos seus discípulos, eles dirigem-se a Deus como "Pai nosso", e também nas imagens e parábolas dos discursos de Jesus Deus aparece como pai. Para os discípulos de Jesus Deus passou, assim, a ser o Deus próximo, que se comunica com os homens não através de potências angélicas nem de seres intermediários, mas que, como criador e conservador, busca paternalmente conquistar o amor de seus filhos "perdidos".

A morte e a crucificação de Jesus não destruíram esta sua no Pai. Ao morrer na cruz, Jesus entrega o espírito nas mãos de seu Pai (Lc 23,46). Para os discípulos a ressurreição aparece como sendo a confirmação da maneira como ele se autocompreende e de sua convicção de que Deus "não é Deus dos mortos mas dos vivos" (Mc 12,27). Sob o impacto da ressurreição o Deus-Pai de Jesus passa a ser, para os discípulos, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Cor 1,3; Ef 1,3; 1 Pd 1,3), que revelou seu amor pelo sacrifício de seu Filho enviado ao mundo (Jo 3,16). Agora o fiel cristão se torna filho de Deus. "Eu serei seu Deus e ele será meu filho" (Ap 21,7). Desta forma, professar este Deus só pode ser o professar que a ressurreição de Jesus dos mortos é um ato salvífico deste Deus (Rm 10,9): "Se com tua boca confessares o Senhor Jesus e com teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo".

Joachim Jeremias: «A MENSAGEM CENTRAL DO NOVO TESTAMENTO» — PAI

PERENIALISTAS
Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 15


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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