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id da página: 4789 ENCARNAÇÃO — UMA FILOSOFIA DA CARNE
MICHEL HENRY — ENCARNAÇÃO - UMA FILOSOFIA DA CARNE

O grande pensador francês da fenomenologia volta-se agora, em sequência a seu notável estudo sobre o Cristo, EU SOU A VERDADE, para uma reflexão aprofundada sobre a encarnação do Verbo, da Verdade. Elucidar a "encarnação", a existência na carne, o "ser-carne", tal é a proposta deste livro. A carne não é o corpo. Pois é a carne que se experienciando, se sofrendo, se submetendo e se suportando a si mesma, desfrutando de si segundo impressões sempre renascentes, é capaz de sentir o corpo que lhe é exterior, de tocá-lo assim como de ser tocada por ele. Só a carne nos permite no final das contas conhecer o corpo.

Mas a elucidação da carne vai ao encontro necessariamente da afirmação fundamental que se encontra no Prólogo do Evangelho de João: "E o Verbo se fez carne" (Jo 1,14). Tese inverossímil, sobre a qual se joga no entanto a sorte do cristianismo através dos tempos. Ela afirma ao mesmo tempo que a carne do Cristo é semelhante à nossa, que o homem "é carne", que a unidade do Verbo e da carne é possível e se realiza no Cristo. Mas que deve ser a carne para ser revelação ? E que deve ser a revelação para se realizar como carne ?

Eis algumas das questões deste livro de Michel Henry, prolongando e aprofundando sobremaneira sua investigação fenomenológica da tradição cristã, segundo sua perspectiva ímpar de uma meditação da Vida, conforme objeto de seus estudos anteriores, em particular seu EU SOU A VERDADE.

Introdução: A QUESTÃO DA ENCARNAÇÃO

A reviravolta da fenomenologia

Fenomenologia da carne
  • Aparecer e conteúdo do mundo: a questão do mundo sensível
  • A crítica radical do mundo sensível. Amplitude e limites da redução galileana
  • A contra-redução cartesiana
  • A crítica husserliana da redução galileana na Krisis
  • Retorno à análise do corpo sensível mundano. O remetimento do corpo sentido ao corpo transcendental que o sente. A ambivalência do conceito de "sensível"
  • A tentativa de superar a oposição do corpo sentidor e do corpo sentido: a problemática do último Merleau-Ponty e a absolutização do Sensível
  • Desdobramento do corpo transcendental. A corporeidade originária imanente encontrando sua essência na vida
  • A geração da carne na Vida absoluta. Caracteres fenomenológicos originários da carne decorrente desta geração
  • Da concepção helênica do corpo à fenomenologia da carne. As problemáticas fundamentais de Irineu de Lião e de Tertuliano
  • A interpretação radical da carne como matéria fenomenológica da vida e como sua auto-revelação. O cogito cristão de Irineu de Lião
  • Analítica do "eu posso". O poder-se-mover como condição do poder-tocar e de todo poder atribuído ao corpo. Candillac e Maine de Biran
  • A carne, memória imemorial do mundo
  • A carne, lugar de donação de um corpo desconhecido — dado antes da sensação e antes do mundo. Estruturação e propriedades do "corpo orgânica"
  • A possibilidade originário da ação como pulsão carnal do corpo orgânico. A realidade prática invisível do conteúdo do mundo. Constituição e estatuto do corpo próprio objetivo
  • A teoria da constituição do corpo próprio no capítulo III de Ideen II. A tripla ocultação da possibilidade transcendental do "eu posso", da existência do corpo orgânico, da localização sobre ele de nossas impressões
  • Retorno ao quiasmo. O que quer dizer "ser-tocado". Fenomenologia da pele como completude da teoria da constituição do corpo próprio.
  • Retorno à tese de Condillac. O autoerotismo da estátua: a carne como lugar da perdição. Passagem necessária de uma fenomenologia da carne a uma fenomenologia da Encarnação.

Fenomenologia da Encarnação: a salvação no sentido cristão
  • Recapitulação dos resultados obtidos ao termo da reviravolta da fenomenologia e da análise denomenológica da carne
  • A questão do "eu posso" em uma fenomenologia da Encarnação
  • Ilusão e realidade do "eu posso"
  • O esquecimento da vida e sua lembrança no pathos da praxis cotidiana
  • O esquecimento da vida e sua lembrança patética na angústia
  • A duplicidade do aparecer e o redobramento da angústia
  • O desejo e ao "salto no pecado"
  • As duas carnes transcendentais da relação erótica. O ego da descrição
  • A relação erótica na imanência da vida: o fracasso do desejo
  • A relação erótica no aparecer do mundo. A repetição do fracasso
  • A redução da relação erótica à sexualidade objetiva no tempo do niilismo
  • A vida é sem porque. A vida é boa
  • Os graus da passividade: do Gênesis ao Prólogo de João
  • A via da salvação segundo Irineu de Lião e segundo Agostinho de Hipona
  • A experiência de outro em uma fenomenologia da vida
  • A relação a outro segundo o cristianismo: o corpo místico do Cristo

Conclusão: Além da fenomenologia e teologia: a arqui-inteligibilidade joanica

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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