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id da página: 7345 TORNAR-SE CONSCIENTE DO LOGOS
Georg Kühlewind — TORNAR-SE CONSCIENTE DO LOGOS

Excertos traduzidos de BECOMING AWARE OF THE LOGOS: THE WAY OF ST. JOHN THE EVANGELIST.

Estes excertos nos oferecem um extraordinário entendimento do sentido do logos discursivo e razoável, da fala e da mudez, da comunicação e do que a permite. Para uma apreciação especial do «logos» grego, visite logos, e do «Logos», Palavra, visite Verbo.

A PRESENÇA DO LOGOS

Somos apenas boca. Quem canta o coração distante
que habita inteiramente dentro de todas as coisas?
Seu enorme pulsar vive em nós
dividido em menores batidas. E sua enorme dor,
como sua grande alegria, é imensa para nós.
Assim sempre nos desgarramos de novo
e somos somente boca.
Mas subitamente a grande
batida do coração entra em nós invisivelmente
e gritamos... .
E então são ser, mudança e contenção.
Rilke


Se tornar consciente do Logos é se tornar consciente do Logos em si mesmo. Esta sentença deve ser compreendida em todos os seus significados.

Que a comunicação é possível e acontece, que algo é comunicado, é o ser ativo do Logos entre os seres humanos. O conteúdo da comunicação importa pouco a princípio. O fato que aconteça de todo é a presença do Logos. Sem o Logos, não haveria nem mesmo a tentativa de comunicar, nem qualquer demanda para comunicação.

Quem quer que use palavras, fala — conscientemente ou tacitamente — com base na assunção, até a certeza, que "Eu sou" e "Tu és" (v. Eu-Tu), e que a verdadeconhecer — existe. Falar necessariamente envolve falar a alguém. Não há monólogos. Todos os monólogos que conhecemos são basicamente diálogos. Quem quer que engaje em um monólogo previamente falou com outros seres falantes. Quando a pessoa mais solitária fala pelo menos um outro está presenta. Ninguém fala para si mesmo só. Mesmo o monólogo primordial do Criador imediatamente se torna um diálogo — mesmo antes de ser expresso. O Outro, o segundo, já estava presente na semente da Palavra primal: Ele era ela (Jo 1,1-3). Portanto a Palavra é verdadeiramente o princípio primal. Logo que algo move, para fazer algo ou para "pensar", a Palavra aí está e, com ela, o princípio. Mesmo antes de aparecer exteriormente, mesmo antes que a exterioridade (relativa) exista, a Palavra já está aí, antes... antes...

Quando falo a alguém — em minha habilidade de assim fazer — advenho, sou. E tu — para tu eu sou, e para mim tu és (Eu-Tu). A palavra brota entre nós: cognição, comunicação, o Logos.

Sem a cognição nem tu nem eu seria. A cognição, entretanto, só é possível em liberdade. A cognição compulsória, se como por lei natural, não seria cognição, mas um processo natural, análogo àquele pelo qual a roseira faz brotar rosas. Tem que. Não pode haver nenhum argumento sobre isto; certamente não com a roseira, pois esta é sua natureza. Nem podes argumentar com alguém sobre a cor de seus olhos.

"Não há tal coisa como cognição" é uma afirmação impossível, que nega a si mesma, assim como suas variantes, "Não há coisas que não podemos cognoscer" ou, geralmente, "Isto ou aquilo é não cognoscível". No instante que dizemos isto de algo estamos á beira de cognoscê-la. O momento que firmamos no limiar, o limiar foi cruzado.

Eu concebo, formo a palavra e a libero, a envio em seu caminho. Flutua para ti. É verdade. Que há verdade, que a palavra existe, é verdade. E a palavra vive, está presente, não passada. Fala. E ao mesmo tempo diz, estou aí — eu sou o eu-sou-aí — e isto é vida (zoe).

No que segue vamos falar sobre esta palavra flutuante; de fato, já falamos disto. Ela mesma fala.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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