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INTELIGÊNCIA — INTELIGIBILIDADE

VIDE: NOUS; ARQUE-INTELIGIBILIDADE

O caráter do que é inteligível, não enquanto possui um estatuto ontológico particular, mas enquanto é o objeto de uma apreensão pelo intelecto humano.


Assim temos uma «inteligibilidade discursiva», a compreensão, uma «inteligibilidade da ciência», a episteme, e uma «inteligibilidade da história», historiografia.

Perenialistas

Andre Allard: L'ILLUMINATION DU COEUR

Todo conhecimento é um ato comum do conhecente e do conhecido. Conhecer um objeto, é tornar-se, de alguma maneira, este objeto. Certamente, não é questão que o sujeito se torne o objeto sensível tal qual existe no espaço e no tempo e, como diz Sartre, conhecer a cadeira que eis aqui, não é ter esta cadeira mesma no pensamento; a este respeito, esta cadeira não está no pensamento, ela está no espaço, contra a parede que ela mesma está na casa, e assim por diante. Mas conhecer inteligivelmente um objeto individual sensível, é ter este objeto na mente enquanto substância segunda, quer dizer abstração feita de sua existência no espaço e de sua matéria e, consequentemente, de todo acidente individualizante; em seguida, a si mesmo, sujeito conhecente e ativo, se manifestar esta presença em exprimindo conceitualmente esta inteligibilidade. Em consequência, os dois grandes momentos do conhecimento que, praticamente, não constituem senão um mesmo ato de intelecção, são primeiramente a recepção na mente do objeto ele mesmo em estado de substância segunda (ou de forma inteligível ou de essência stricto sensu) e, em segundo lugar, a expressão desta inteligibilidade pela emissão, em modo de pensamento, de um verbo mental (ou conceito mental) em seguida à fecundação da inteligência do sujeito conhecente pelo objeto reduzido ao estado de inteligível puro.

Para que o objeto sensível seja inteligivelmente presente à inteligência, ele deve ser previamente reduzido ao estado de imagem. O objeto sensível é conhecido por meio dos sentidos. Os sentidos são excitados pelo objeto (pelas «irradiações» deste); sob a influência destas excitações, o sujeito conhecente experimenta diversas sensações. Estas são coordenadas pelo senso comum de sorte que uma imagem se forma na imaginação. Esta imagem não é uma imagem de objeto quer dizer um objeto de pensamento que seria outro que o objeto sensível considerado; ela é este objeto ele mesmo em um sujeito conhecente sob forma de imagem, ou impressão representativa, de sorte que o sujeito conhecente é agora o objeto no estado de impressão representativa, ou, como se diz ainda, de espécie sensível (ou espécie impressa). O objeto conhecido está na imaginação pela presença de sua espécie sensível. Esta é um intermediário que, sem cessar de ser objeto, se torna sujeito. A espécie sensível é o objeto mesmo por modo de especie, «quer dizer o objeto mesmo considerado na ação e na eficácia que exerce sobre um sujeito. Não é a espécie (sensível) do objeto que está presente na imaginação, mas o objeto por sua espécie (sensível)» (Etienne Glson).

Eis portanto o objeto, por sua espécie sensível, e sob forma de imagem ou de impressão representativa, no sujeito. Aí está sem matéria (pela qual o objeto está no espaço, assim como o sujeito conhecente está no espaço por seu corpo), mas aí está (é o objeto enquanto essência em sentido amplo) com todos seus acidentes e, bem entendido, com sua inteligibilidade (essência em sentido estrito). Mas esta inteligibilidade não é desprendida; ela é latente (ou em potência) nesta essência lato sensu recebida na imaginação. Ora, para que o conhecimento inteligível tenha lugar, é preciso que a pura inteligibilidade do objeto, quer dizer sua forma inteligível, sua essência stricto sensu, seja recebida na mente do sujeito conhecente. Este deve então: 1) desprender esta inteligibilidade pura que é sempre o objeto, mas sem nenhum acidente individualizante; 2) exprimir esta inteligibilidade em um conceito mental, desta vez outro que o objeto. A condição para que a inteligibilidade objetiva seja desprendida (extraída, abstraída) da imagem (ou espécie sensível, impressa, ou impressão representativa, ou essência lato sensu) é que a inteligência do sujeito não seja somente esta tábua rasa sobre a qual nada está inscrito na origem, mas que ela seja, ao contrário, desde a origem, um princípio ativo capaz de realizar a extração dos inteligíveis ou, em outros termo, capaz de fazer passar a ato as inteligibilidades contidas em potência nas imagens. Se chamamos intelecto o órgão da inteligência, somos forçados a considerar este intelecto sob dois aspectos: sob um, ele é intelecto em ato, ou intelecto agente (nous poietikos, nous apathes); sob o outro, ele é intelecto em potência (nous pathetikos), ou intelecto possível, na origem tabula rasa.

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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