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id da página: 4377 FRANCISO DE ASSIS (1182-1226)
CRISTOLOGIA — FRANCISCO DE ASSIS (1182-1226)

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BIOGRAFIA E BIBLIOGRAFIA
A melhor biografia é aquela de 1907, em dinamarquês, traduzida em vários idiomas e aqui em espanhol: JOERGENSEN - SAN FRANCISCO DE ASÍS, no site mais completo sobre FRANCISCO DE ASSIS E A ORDEM FRANCISCANA.

São Francisco amava o canto mais do que qualquer outra coisa. Sua juventude, não dissipada, mas divertida, nutriu-se das canções de gesta e dos delicados poemas de amor que os mais ilustres trovadores franceses difundiam através da península: por toda parte ressoavam suas canções, e até nas vilas mais pequeninas se haviam instituído "corti", ou cortes de amor, consagradas à "gaia scienza", à alegre sabedoria.
(J. Joergensen, Saint François d'Assise, sa vie e son oeuvre. Paris, Perrin, 1927, obra escrita em dinamarquês em 1907. Existe uma antiga tradução em português publicada pela Vozes; trabalho mais recente é o de Omer Englebert, Vie de Saint François d'Assise, Paris, Albin Michel, 1972.


O ideal cavalheiresco devia inspirar as primeiras vocações de Francisco, e só mais tarde, depois de ter percebido a vaidade desse ideal demasiadamente humano, e impróprio dele, foi que passou a cortejar a Senhora Pobreza e a servir o Senhor, único digno de apego total.

Aliás, São Francisco era meio provençal e meio francês, por sua mãe, a senhora Pica (a origem - Provença ou Picardia - e o sobrenome da mãe de São Francisco sofrem contestação), que seu pai, Pierre de Bernardone, teria trazido da França, quando de uma viagem comercial. Na ausência do pai, que partira para nova viagem à França, Francisco foi batizado com o nome de João. Regressando, o pai mudou o prenome do filho para "Francês", ou "François", como nessa época se escrevia. Teria sido em honra de sua esposa que Bernardone escolheu um novo nome para seu filho? Ou teria sido para protestar contra o nome de João que o levava a recordar-se, com desagrado, da vida ascética de São João Batista? Não o sabemos. O certo, seja como for, é que o pai não viu com maus olhos o filho agir como um elegante jovem francês, e mandou-o aprender a língua francesa durante a adolescência.

O francês foi, para São Francisco, como que "a língua materna da sua alma", a língua da poesia, a língua da religião e a de suas melhores recordações. Embora seu conhecimento do francês fosse imperfeito, Francisco a ele recorria, de bom grado, quando, nas grandes circunstâncias, sua língua natal lhe parecia demasiadamente comum para expressar o que tinha no coração. E era em francês, particularmente, que pedia esmolas, quando das suas primeiras experiências em mendicidade, em Roma, sobre os degraus do pórtico de São Pedro.

São Francisco sentiu, durante toda a vida, que tinha alma de trovador. Quando jovem, percorria as ruas de Assis, à noite, à frente de um grupo de menestréis amadores, e cantava, acompanhado por alaúdes e violas. Conta-se, mesmo, que mandou fazer um trajo de jogral, para vesti-lo no círculo de seus alegres companheiros. Depois da sua conversão continuou cantando, mas dessa vez seus louvores - as Laudes - dirigiam-se a Deus Pai, à Virgem, às virtudes, etc. Eis como Joannes Joergensen, biógrafo entusiasta de São Francisco, descreve o dom da alegria perfeita que ele recebera em troca do seu perfeito desapego em relação às criaturas:

"E, na verdade, em recompensa desse perfeito desapego, o mestre bem-amado de Francisco lhe fizera o dom de uma perfeita alegria. Havia momentos, horas inteiras, em que essa alegria lhe subia à alma, como uma canção, de tal forma que ele acabava por cantar, docemente, a melodia que ouvia dentro de si mesmo - e cantava-a em francês, como outrora, quando, com o irmão Egide, ia pelas estradas anunciando o Evangelho. E cada vez mais forte e mais clara ressoava a melodia celeste, crescendo nele, incessantemente. Então, às vezes, tomava dois bastões, ou apanhava do chão dois pedaços de madeira, apoiava um deles sob o queixo, como se fosse uma viola, e o esfregava com o outro, como um arco. E cantava sempre, mais alto, e sempre atendia com maior zelo àquela música muda, da qual ninguém, a não ser ele, podia ouvir a harmonia. E em muitas ocasiões movimentava o corpo, no compasso. Por fim, a emoção dominava-o por completo: deixava cair a viola e o arco, e desfazia-se em lágrimas ardentes, perdendo-se, deliciosamente, numa onda de êxtase e alegria".


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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