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CRISTOLOGIA — EVANGELHOS

Segundo Willis Barnstone, em sua recente tradução do Novo Testamento, acompanhada de grande aparato crítico, THE RESTORED NEW TESTAMENT, o mais antigo fragmento dos evangelhos é um pedaço contendo cinco versos de João 18, que foi reconhecido por C.H. Roberts em 1934 de tiras de papiro encontradas por Bernard P. Grenfell em 1920 no Egito. Roberts datou este pedaço como da primeira metade do século II, embora a data não seja confirmada. Os primeiros manuscritos substanciais com porções do NT são o papiro de Bodomer de João e o papiro de Chester Beatty, que contém dez cartas de Paulo. Estes papiros são datados de algum tempo no meio do século III. O mais antigo pergaminho contendo todo o NT é o Codex Sinaiticus descoberto em 1844 no monastério de Santa Catarina no Sinai, datando do século IV. Estes antigos manuscritos têm todas as esperadas rasuras, reescritas, emendas e comentários sobre eles dos antigos escribas, o que é uma ajuda em retraçar sua história. No caso da Bíblia hebraica, as cópias são mais recentes, enquanto a Septuaginta grega é mais antiga do que qualquer texto hebraico sobrevivente (com exceção dos Manuscritos do Mar Morto). De fato, quase toda a antiga literatura que chegou aos dias de hoje de todas as sociedades consiste de cópias de cópias de cópias...

A composição dos evangelhos teve lugar na segunda metade do século I e início do século II. Não há fragmento de manuscrito dos evangelhos eles mesmos senão ao menos um século depois da morte de Jesus — e pelo menos dois séculos depois é que se tem algo substancial. Devido ao abismo de informação seguinte à vida de Jesus, só temos suposições para descrever a química misteriosa que transformou um movimento judeu em Jerusalém em uma escritura cristã grega.

Como chegamos aos quatro evangelhos canonizados? Começando com um texto oral em mutação, registrado então em fontes atualmente perdidas, o curso de tradução de eventos originais aos primeiros manuscritos gregos foi um longo caminho. Erros e, mas significante ainda, interpretações daqueles eventos como contados e recontados (cópia oral ou tradução oral), invenção editorial, omissão, e alteração no seu caminho até os códices do século IV, determinaram a natureza das escrituras cristãs. Como afirmava Robert M. Grant: «Os Evangelhos testificam primariamente da fé e das memórias das comunidades de onde vieram, não da confiabilidade histórica de seus autores. Em muitos sentidos os Evangelhos Sinóticos (embora não João) se assemelham à literatura popular mais do que a criação de artistas individuais».

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)