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id da página: 10316 DOCTRINA SACRA
TRADIÇÃO — DOCTRINA SACRA

PERENIALISTAS
Christophe Andruzac: RENÉ GUÉNON

Convenhamos designar pelo termo técnico «Doctrina Sacra» o conhecimento da revelação, se ela existe, feita à humanidade do mistério da fecundidade divina.

Sabemos que a intelecção que Deus tem dele mesmo é homogênea a seu ser (seu ser é perfeitamente límpido a sua inteligência); o ponto mais surpreendente para nossa inteligência é admitir que há em Deus presença real e vivente dele mesmo a ele mesmo como conhecido, dito de outro modo que a intelecção que Deus tem dele mesmo é nele uma relação subsistente, uma relação que é um polo da vitalidade divina, e não um lugar entre dois seres. Esta fecundidade é muito misteriosa para nossa inteligência (ou para um olhar filosófico), pois todas as relações que podemos experimentar diretamente são «acidentes de acidentes», como o afirma a tradição escolástica, dito de outra forma um modo de ser (uma ligação) fundada sobre um modo de ser: a quantidade (Pedro é maior que Paulo), a qualidade (a vestimenta de Paulo é mais limpa que aquela de Pedro), a ação e a paixão (Alexandre e Daniele se amam). Há também em Deus uma fecundidade de amor do lado da vontade; em se conhecendo Deus se descobre como bem, e este movimento de amor para com ele mesmo é também uma relação subsistente, um «polo» pessoal da fecundidade da vida divina. Esta fecundidade substancial de inteligência e de amor é propriamente impermeável a nossa inteligência — sendo dado seu condicionamento. Para nos permitir dela nos fazer certa ideia, Deus nos revelou três grandes analogias: aquela do pão, aquela do filho e aquela do verbo. A fecundidade pessoal da vida divina — designamo-la convencionalmente pelo termo «vida processiva» para evitar o recurso a termos que perderam seu sentido técnico: deidade, divindade, essência divina, vida íntima de Deus, etc. — é nela mesma uma abismo de contemplação; podemos no entanto aproximá-la um pouco considerando a fecundidade de nossa vida artística, de nossa vida afetiva e de nossa vida intelectual. Mas isto permanece na ordem da analogia, e talvez mesmo, para um olhar filosófico, na ordem da representação e da imagem.

Sabemos que Deus quis associar certos homens de uma maneira muito mais íntima a sua própria «vida processiva»; esta participação foi tornada possível pelo dom de virtus infuses. Compreende-se que estas virtudes infusas permanecem misteriosas para aquele que não pode experimentá-las, para aquele que não foi visitado por isto que a Doctrina Sacra chama a Graça. O cristão não possui sobre o objeto de sua a certeza intelectual absoluta que é o fato do Sábio que contempla, do qual o Nous «toca» a luz inefável do Ser Primeiro. Há no entanto na raiz de sua adesão uma certeza, mas esta certeza não procede da evidência (ou da limpeza de nossa inteligência) de seu objeto; ela procede de um infusão que permite experimentar diretamente as verdades da Doctrina Sacra, a ordem das exigências intelectuais sendo por assim dizer curto-circuitada — mas não violada.

NÃO-DUALIDADE
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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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