Carregando...
 
id da página: 9863 DES-COBRIMENTO
CAMINHO — DES-COBERTA


EVANGELHO DE JESUS: Mt 10:26; Mc 4:22; Lc 8:17; Lc 12:2

Levantar o que cobre, "des-cobrir", "des-encobrir", são possibilidades de se entender o grego aletheia, segundo Heidegger. Muitas vezes traduzido como "verdade", do latim veritas, o original grego como em outros casos, perdeu seu sentido original de "negação do esquecimento", "des-cobrimento", "des-encobrimento".

Segundo Jean-Yves Leloup, em sua interpretação do Evangelho de Tomé - Logion 2, a BUSCA de certa maneira, já é um des-cobrir. Deseja-se algo que já se conhece, senão de onde nos viria a ideia? Conhecemos "momentos estrelados" em nossa existência que testemunham, qualquer que seja a espessura de nossa noite, que "a luz existe".

«Tu não me buscarias se já não me tivesses des-coberto", mesmo que por vislumbres.

Assim o movimento mesmo da BUSCA, é de se abrir suficientemente ao que já está presente, porém encoberto por "nós-mesmos", e assim não conhecemos suficientemente. "Há no meio de vós alguém que não reconheceis", dizia João Batista, o Anunciador.

Há no meio de vós uma presença a des-encobrir, reconhecer e afirmar. Buscar-Descobrir, é se abrir suficientemente ao que desde sempre nos é dado.

Perenialistas

Allard l'Olivier: L'ILLUMINATION DU COEUR

Acontece, quando Deus julga oportuno, que a criatura humana entre na consciência da unidade constituída pela luz divina e a recepção desta luz pela face interna da mente. Então tudo se passa como se Deus se desvelasse à alma criatural. Quando Deus se desvela não como Existente «objetivo», compreende-se, mas como Existir infinito no foro interior do sujeito conhecente, é na linha mesma da subjetividade deste aí que ele surge. É o surgimento do Ipsum esse no sujeito conhecente. Deus se desvela como Existir infinito dando à alma criatural a consciência que a face espiritual que esta criatura apresenta a Deus — quer dizer o intelecto ativo ou agente desta criatura — é inundado do fluxo existencificador divino que atinge diretamente esta face interna como a luz do sol atinge diretamente o espelho que lhe é estendido. Ora, tendo assim consciência da luz existencial que recebe, ela se encontra privada de todo meio de distinguir sua face interna da Realidade divina, de sorte que ela é então, enquanto face interna, literalmente deificada; mas, por outro lado, como é o Existir infinito que se desvela, e com que intensidade formidável! ela experimenta no mesmo momento, enquanto, desta vez, ela é criatura individual soba a face interna que apresenta a Deus, seu nada existencial. Ela é extinta em um mundo ele mesmo desprovido de toda realidade existencial.

Dispositivos móveis

Online Users

1 usuário on-line

Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
Mostrar mensagens de erro do PHP