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TEMPO — CICLO

VIDE: Estações do Ano; Eão; Idades

Cabala

Elias Lipiner: Excertos do livro de Elias Lipiner, "As letras do Alfabeto na criação do mundo"

Há uma correlação de denominações entre os ditos ciclos sabáticos e o ano sabático da Bíblia, pelo que, à guisa de esclarecimento, convém fazer referência, em primeiro lugar, à fonte terminológica primitiva. O ano sabático era o último ano de cada período de sete anos. Durante este último ano - segundo a Bíblia - deviam cessar as atividades agrícolas e comerciais, para apenas recomeçarem no primeiro ano do período seguinte. Depois de 7 anos sabáticos, ou seja, decorrido um período de 49 anos, o ano sabático era proclamado ano jubileu, revestindo-se de características mais acentuadas e mais solenes.

A teoria dos ciclos sabáticos prevê a divisão do tempo cósmico em ciclos de sete mil anos cada um, multiplicando assim por mil a referida unidade bíblica de que o autor do Livro da Imagem emprestou o nome. Decorridos sete ciclos que totalizam quarenta e nove mil anos, ou seja, no quinquagésimo milésimo ano, é proclamado o grande Jubileu. Em cada ciclo domina uma ordem diferente que emana a Lei própria ao mesmo. Encerrado um ciclo sabático para iniciar-se outro, transforma-se a Lei, e, consequentemente, a ordem mundial, repetindo-se o fenômeno sete vezes. Finalmente, no quinquagésimo ano do Jubileu cósmico, tudo volta ao estado primitivo de confusão de todos os elementos que dominava antes de se formar o mundo, voltando todas as coisas à sua fonte originária, assim como dela haviam saído. É a imobilização ou mesmo a morte da História pela consumação dos séculos.

A distribuição do tempo cósmico por ciclos compreendendo certo número de anos, ao fim dos quais devem repetir-se pela mesma ordem certos fenômenos utópicos, não é criação original do autor. A originalidade deste consiste porém, na técnica exegética por ele inventada ou adotada a fim de estabelecer uma relação de dependência entre os preceitos do texto canonizado do Sinai e as ideias revolucionárias e utópicas que o contradizem. Efetivamente, ele expôs o seu sistema utópico sob a forma de uma interpretação mística do alfabeto hebraico.

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Existem três possibilidades: na primeira, os homens dominam o elemento passional, cada um vive espiritualmente de sua Revelação interior; é a idade de ouro, quando cada um nasce iniciado. Segunda possibilidade: os homens são afetados pelo elemento passional a ponto de esquecer determinados aspectos da Verdade, de onde a necessidade — ou a oportunidade — de Revelações externas, mas de espírito metafísico, tais como os Upanixades. Terceira: a maioria dos homens são dominados pelas paixões, de onde as religiões formalistas, exclusivas e combativas, que lhes comunicam, por um lado, o meio de canalizar o elemento passional tendo em vista a salvação e, por outro, o meio de vencê-lo, tendo por objetivo a Verdade total, e de superar dessa forma o formalismo religioso que encobre essa Verdade, sugerindo-a indiretamente. A Revelação religiosa é ao mesmo tempo um véu de luz e uma luz velada.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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