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id da página: 5450 CASA — MORADA — MANSÃO
LUGAR — CASA — MORADA

VIDE: SER-EM; CIDADE; PALÁCIOS; MORADA DA VIDA; LUGAR

CRISTOLOGIA
Orígenes: CASA DE JESUS

GNOSTICISMO
Antonio Orbe: MANSÕES

CABALA CRISTÃ
Nicolas Boon
“Domine no sum dignus ut intres sub tectum meum sed tantum dic verbo et sanabitur anima mea”. Palavras do Centurião em Mt 8,8 (v. Exemplo de Fé) utilizadas antes da Comunhão na Liturgia – e elas ainda são mantidas tais quais no ritual de Paulo VI, texto latino. As traduções em línguas nacionais em geral simplificou” dizendo “eu não sou digno de te receber mas diga uma só palavra e serei salvo”. Para o homem moderno a palavra “eu” parece equivaler à palavra alma que, para ele, se esvaziou de toda amplitude de significação. É uma verdadeira grosseria reduzir o ser à formulação do “eu”. O “eu” trataria unicamente do nefes (v. ego). Esta dita “simplificação” apaga de um só golpe toda uma dimensão espiritual. Isto provém evidentemente de que o homem moderno não mais vê o que pode ligar uma casa, de que trata evidentemente o Evangelho, tomada em seu sentido literal, e a alma ou o coração. No entanto já dissemos que a palavra “leb” que significa coração tem o sentido de envelopar, abrigar. Monsenhor Devoucoux fala de três muralhas do Templo dito de Janus, em Autun, como sendo “lobiae”. Lobia = muralha. A correspondência ente coração e casa é portanto evidente. A primeira letra do Gênesis é um beth que significa casa, e toda a palavra revelada já está virtualmente contida nesta primeira letra, segundo o ensinamento rabínico. Este beth corresponde também a Binah que é denominada construção. Toda casa tem um teto que a protege contra as intempéries e de tudo o que está fora. A realização na perfeição a alma-casa é indicada com precisão e beleza em Isaías 4,5 onde o profeta fala do resto de Israel salvo e morando em Jerusalém, Cidade ou Visão da Paz, onde podemos ler “pois acima de toda alma um teto”. A palavra “kabod” assim honra, glória. Em seguida riqueza. Igualmente espírito ou alma. Notemos que o valor numérico de kabod é igual ao de leb, a saber 32.


SUFISMO
Ruzbehan de Shiraz: Excertos de seu Léxico do Sufismo (Ruzbehan Tratado do Espírito Santo)

A morada é própria aos adeptos da perfeição que souberam dominar os estados passageiros graças à firmeza. A morada é superior à estação porque implica na fixação do estado místico no coração, e determina a pedagogia do coração posto na luz do invisível sem qualquer alteração. O adepto da estação não está submetido às mudanças. A morada por excelência, é a contemplação de Deus no secreto do coração graças à Teofania, e isto em todos os instantes.

Tua morada reside em meu coração que me fez coração por inteiro, nela não há lugar para nada senão Tu. (Hallaj)


Comentário: Em seu sentido primário makan quer dizer "Lugar"; mas na acepção sufi deste termo, trata-se da fixação do coração em seu lugar próprio, de sua residência na morada. A ideia é expressa pelo termo sekina correspondente ao hebreu Shekinah como presença divina na morada, que procura a paz do coração. A interpretação de Ruzbehan visa a morada como a integração perfeita de todas as estações assim como a reabsorção dos diferentes estados místicos culminando na contemplação. Assim concebida, a morada é o lugar do repouso da alma em Deus, e reciprocamente de Deus nela, que corresponde ao estado da "alma pacificada" que é o coração no sentido verdadeiro.

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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