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id da página: 10781 QUEM SOU EU

Com efeito, nos é impossível viver, sentir ou agir sem pronunciar a palavra "eu". Cada um diz "eu penso, eu desejo, eu sou...". O que o termo "eu" denota é portanto uma existência evidente por ela mesma. Mas não somos jamais indagados o que esta palavra guarda? O conselho invariável de Ramana Maharshi é que cada um deve se perguntar: "Quem é este ‘eu’?" e assim alcançar a descobrir por si mesmo o "Eu" real. Cada um diz "eu vou, eu venho, etc.". É uma experiência de todos os dias que nos faz pensar facilmente que a consciência do "eu" é o verdadeiro sujeito. Mas qual é esta consciência e qual é o sujeito? Ações tais como ir ou vir concernem quase exclusivamente o corpo e quando se diz "eu vou" ou "eu venho" esta asserção nos conduz facilmente ao pensamento que é o corpo que é o "eu". Todavia, o corpo em si mesmo é inerte. Como poderia ser em verdade o "eu"? O corpo não existia antes de ser nascido, e não será senão um cadáver depois da morte. Logo é muito fácil compreender que o corpo não é o "Eu". No entanto, o que é a consciência do "eu"? (Self Inquiry, n 2-3)


Poderia então se voltar para o mental, esta força misteriosa que reside no Si Mesmo e que produz todos os pensamentos, que, por outro lado, é feita deles e logo de mesma natureza (Who am I, n. 8). Mas aí ainda,em contemplando a atividade normal, cotidiana do homem, o primeiro pensamento a ponderar será aquele do "eu" (do egotismo). Há portanto lugar de busca então de onde este provém.

Abandonai todos os pensamentos tocando o corpo ou o universo fenomenal. Não procures descobrir porque ou como estes fenômenos aparecem. Buscai sempre a não desvelar senão a natureza real de vosso si mesmo. O Si Mesmo ou Consciência pode ser realizado pela interrogação no mental: "Quem sou eu?" Deixe o corpo permanecer inerte como um cadáver, sem mesmo pronunciar a palavra "eu". É a este momento que uma iluminação silenciosa da forma de um "eu-eu" poderia brilhar no Coração (centro do homem). Isto é dizer que, uma vez desaparecidos os pensamentos contingentes e limitados, a consciência pura, que é Una e não limitada, pode brilhar de seu próprio brilho. (Self Inquiry n. 3).

Permanecendo tranquilo e sem abandonar este exercício, que deve se fazer continuamente e sem interrupção, o egotismo, o pensamento que sou o corpo, vai se destruir completamente e, para concluir, mesmo o pensamento "quem sou eu" vai se extinguir como a cânfora que o fogo queima sem deixar cinzas. Este é o momento que a realização do Si Mesmo terá lugar (Self Inquiry n. 3). É pela investigação de "quem sou eu? " que o pensamento mesmo de "quem sou eu?" vai destruir todos os outros. E ao final ele vai se extinguir ele mesmo, como a vara que se emprega para mexer o fogo da lareira queimando (Quem sou eu, n. 10).

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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