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id da página: 7 O Verdadeiro Cristão
Verdadeiro Cristão
Excertos da pobre tradução em português, até que tenhamos uma tradução melhor...
“Um verdadeiro Cristão é somente aquele cuja alma e mente tenham entrado novamente na matriz original, fora da qual a vida do homem teve sua origem; quer dizer, o Verbo eterno (logos). Esse Verbo foi revelado em nossa natureza humana, que é cega à presença de Deus, e aquele que absorve este Verbo com sua alma faminta, e assim retorna ao estado espiritual original no qual a humanidade teve sua origem, sua alma se tornará um templo do amor divino, aonde o Pai recebe Seu amado Filho. Nele residirá o Espírito Santo”.

“Portanto, em quem o Cristo existe e vive, somente ele é um Cristão, um homem em quem o Cristo levantou-se da carne perdida de Adão. Ele será um herdeiro de Cristo – não de acordo com os méritos ganhos por outrém, nem por algum favor conferido sobre ele por algum poder externo, mas pela graça interior.

Acreditar meramente em um Cristo histórico, satisfazer-se com a crença de que em algum momento do passado, Jesus morreu para satisfazer a ira de Deus, não constitui um Cristão. Tal Cristão especulativo todo perverso demônio pode ser, pois todo mundo gostaria de obter, sem qualquer esforço de si próprio, algo bom que não merece. Para entrar no reino deve-se renascer no Espírito”.

“Palácios de pedras ou caríssimas casas de adoração não regeneram o homem; mas o divino sol espiritual, existente no divino céu, agindo através do divino poder do Verbo de Deus no templo de Cristo. Um verdadeiro Cristão deseja apenas aquilo que o Cristo dentro de sua alma deseja”.

“Todos os nossos sistemas religiosos são apenas obras de crianças intelectuais. Devemos repudiar todos nossos desejos pessoais, disputas, ciência e vontade, se quisermos restaurar a harmonia com a mãe que nos deu nascimento no princípio; pois no momento nossas almas são o parque de muitas centenas de animais maliciosos, que nós mesmos colocamos lá no lugar de Deus, e que adoramos como deuses. Estes animais devem morrer antes que o princípio Cristo possa começar a viver interiormente. O homem deve retornar ao seu estado natural (pureza original), antes de poder tornar-se divino”.

“Não há outra caminho para Cristo viver do que através da morte do velho Adão; um homem não pode se tornar um deus e ao mesmo tempo permanecer ainda um animal. Ninguém é salvo por Deus como uma marca de sua gratidão por ter atendido a igreja e ter tido a paciência de ouvir a um sermão; mas seu atendimento a cerimônias externas só pode beneficiar ele se ele ouve Cristo falar dentro de seu próprio coração”.

“Todas as nossas disputas e especulações intelectuais em relação aos mistérios divinos são inúteis; pois originam de fontes externas. Os mistérios de Deus só podem ser conhecidos por Deus, e para conhecê-los devemos primeiro buscar à Deus em nosso próprio centro. Nossa razão e vontade devem retornar à fonte interior da qual elas originam; então chegaremos à uma verdadeira ciência de Deus e Seus atributos”.

“A vontade e a imaginação do homem tornaram-se pervertidas de seu estado original. O homem rodeou a si mesmo por um mundo de vontade e imaginação próprias. Ele assim perdeu de vista Deus, e só pode recuperar seu estado anterior e tornar-se um sábio se ele colocar a atividade de sua alma e mente novamente em harmonia com o Espírito divino”.

“Um Cristão é aquele que vive em Cristo, e em quem o poder de Cristo está ativo. Ele deve sentir o divino fogo de amor queimar em seu coração. Este fogo é o Espírito de Cristo, que continuamente esmaga a cabeça da serpente, significando os desejos da carne. A carne é governada pela vontade do mundo; mas o fogo espiritual no homem é incitado pelo Espírito. Aquele que quer se tornar um Cristão não deve ostentar e dizer: “Eu sou um Cristão!” mas deveria desejar tornar-se um, e preparar todas as condições necessárias para que o Cristo possa viver nele. Tal Cristão poderá talvez ser odiado e perseguido pelos Cristãos nominais de seu tempo; mas ele deve carregar sua cruz, e deste modo se tornará forte”.

“Os teólogos e sectários cristãos mantém-se continuamente disputando sobre a letra e forma, enquanto nada cuidam do espírito, sem o qual a forma é vazia e a letra morta. Cada um imagina que possui a verdade em sua guarda, e quer ser admirado pelo mundo como um guardador da verdade. Por conseguinte denunciam e difamam e atacam uns aos outros, e assim agem contra o primeiro princípio ensinado por Cristo, e que é o amor fraternal. Assim, a Igreja de Cristo tornou-se um bazar onde vaidades são exibidas, e como os Israelitas dançaram ao redor do bezerro de ouro, os modernos Cristãos dançam ao redor de seus fetiches auto-construídos, que chamam de Deus e de acordo com esta adoração de fetiches eles não serão capazes de entrar na terra prometida”.

“Toda a religião Cristã está baseada no conhecimento de nossa origem, nossa atual condição, nosso destino. Ela mostra primeiro como da unidade caímos na variedade, e como podemos retornar ao estado anterior. Segundo, mostra o que éramos antes de nos tornarmos desunidos. Terceiro, explica a causa da continuidade de nossa presente desunião. Quarto, nos instrui sobre o destino final dos elementos mortais e imortais dentro de nossa constituição”.

“Todos os ensinamentos de Cristo não têm outro objeto do que nos mostrar o caminho como podemos re-ascender de um estado de variedade e diferenciação para nossa unidade original; e aquele que ensina diferentemente ensina um erro. Todas as doutrinas que foram agregadas a esta doutrina fundamental, e que não conformam com a última, são meros produtos de tolice mundana, pensando-se sábia; são meros ornamentos inúteis que irão criar erros, e são calculadas para jogar poeira nos olhos do ignorante”.

“Qualquer um que presuma colocar-se como um mestre espiritual, e não tenha nenhum poder espiritual de perceber a verdade, pensando servir à Deus pelo ensinamento do reino de Deus, do qual ele praticamente nada sabe, não serve ao verdadeiro Deus, mas serve a si próprio, e cuida e alimenta sua própria vaidade. Ele pode ter sido legalmente nomeado pelo escritório clerical, e ainda assim ele não é um verdadeiro pastor. Cristo diz: ‘Aquele que não entra no estábulo das ovelhas pela porta, mas entra pela janela, é um ladrão e um assassino, e as ovelhas não o seguirão, pois não conhecem sua voz’. Ele não está em possessão da voz de Deus, mas meramente da voz de seu ensinamento. Mas Cristo disse: ‘Todas as plantas que não foram plantadas pelo meu Pai celeste, devem ser arrancadas e destruídas’. Como, então, pode aquele que é sem Deus tentar plantar plantas celestes, não tendo semente espiritual e nenhum poder? Para tornar-se um verdadeiro mestre espiritual, deve-se ensinar no Espírito de Deus e não no espírito egocêntrico”.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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