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id da página: 5235 QUARENTA QUESTÕES SOBRE A ALMA
JACOB BOEHME — QUARENTA QUESTÕES SOBRE A ALMA

Existe uma excelente tradução em português feita por Américo Sommerman editada pela Editora Polar

Pierre Deghaye: O NASCIMENTO DE DEUS
Nesta obra Boehme responde às interrogações de uma amigo muito querido que se chamava Balthasar Walter. Buscador da Sabedoria no Oriente, este amigo a encontrou em Boehme, após a leitura de “Aurora Nascente”.

As quarenta questões podem ser resumidas em três se reportando à origem da alma, a sua natureza, a que ela é apelada a se devir.

Boehme fala da alma segundo seu devir. Boehme não é um filósofo idealista que definiria a alma como um princípio imutável. Para ele, a alma humana tem um começo, posto que ela foi criada. A alma tem uma história.

De onde viemos? Que somos? Onde vamos? Boehme responde a esta triple interrogação de todos os tempos. No entanto é preciso saber o que cada uma destas três questões primordiais significa para ele.

Segundo o pensamento de Boehme, o lugar onde vamos, assim como de onde viemos, não representa uma espaço localizado no exterior de nós mesmos. Este lugar é uma força e uma substância que estão em nós. Saber que dele viemos, é nos representar isto que somos na raiz de nosso ser. Aí nos tornar, é devir nós mesmos segundo nossa natureza perfeita.

Os teólogos afirmam que a alma justa entra no reino celeste. Para Boehme, aí está uma maneira imprópria de se exprimir. O que deve ser dito é que a alma é regenerada. O que significa que a alma humana é restabelecida em sua plenitude que ela desdobra na pessoa de Adão antes da Queda. De fato, é em nós mesmos que entramos, segundo uma humanidade celeste que não conhecíamos como ser singular fazendo parte da posteridade de Adão, mas que foi o próprio de nossa natureza antes do pecado. Recuperamos esta humanidade. O fim reúne-se ao começo, a terceira questão à primeira.

Partimos de nós mesmos para ir ao encontro de nós mesmos. No entanto o homem não é uma entidade que bastaria a si mesma. A alma humana tem um princípio que se situa em relação a seu criador. A primeira interrogação sobre a origem da alma toca principalmente ao móvel de sua criação e ela vai nos levar a determinar o momento desta última no ciclo da manifestação divina. Só em seguida poderemos dizer o que é a alma e assim responder a nossa segunda questão. Quanto à terceira questão, ela se coloca em relação a este ciclo de manifestação divina. Quando nos tornamos nós mesmos, é Deus que se manifesta em nós segundo sua majestade.

O Deus de Boehme é um Divindade que, saindo de sua absoluta transcendência, se revela progressivamente nisto que chamamos ciclo de sua manifestação. A criação do homem é um momento desta revelação. A realização do homem disto é o fim, pois o homem é o templo no qual Deus se manifesta.

À primeira questão uma resposta se impõe De onde provém a alma? A alma vem de Deus. Mas porque ele criou a alma? Quando a criou? Eis o que trata a obra em detalhes.



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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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