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AÇÃO — ATO

VIDE: ATO-POTÊNCIA; ; MODALIDADES DE ATO; ACTUS PRIMUS; PRAXIS

Perenialistas

Pierre Gordon: IMAGEM DO MUNDO NA ANTIGUIDADE
O Karma, ou Karman, é o poder gerador transcendente dos atos humanos. Ao lado das consequências perceptíveis, cada ação, cada gesto, cada palavra, cada pensamento, tem repercussões invisíveis que se manifestam por vezes a longo termo e estabelecem a compensação. Estes resultados longínquos podem se registrar seja nos infernos, seja nos céus, seja em uma outra existência terrestre. Estamos portanto em presença de um princípio energético, — princípio que unifica entre elas uma sequência intermináveis de vidas, se desenrolando em estados ou lugares diferentes. Cada existência nova é a síntese dos atos dispostos em uma outra; é um simples anel de uma cadeia indefinida.

O ritual da morte e ressurreição adquire assim um sentido muito estendido. Trata-se sempre de escapar à tirania do mundo fenomenal e de romper o abraço da maya (v. Moksha).

Lo que se opone a potencia, lo que está completado, acabado.

François Chenique: Éléments de logique classique
Para Aristóteles, o espaço, o tempo e o movimento existem realmente, e ele critica a escola de Eleia de lhes haver negado: as coisas que estão em movimento passam da privação e da capacidade de uma forma à perfeição desta forma, quer dizer passam da potência ao ato, e isto não se pode fazer a não ser pela influência de um ser já em ato que tem a perfeição desta forma, segundo o adágio: "Tudo aquilo que é movido é movido por um outro (quidquid movetur ab alio movetur). À luz desta doutrina muito célebre do ato e da potência, Aristóteles chega ao motor primeiro que é imóvel, que move sem ser movido, e sob a influência do qual se fazem todas as passagens da potência ao ato.

Simbolismo

Fernando Pessoa: Rosea Cruz
Tudo realmente mas philosophicamente expondo, reduz-se a isto: que toda a vida é um mysterio, todos os actos da vida tem um lado pelo qual são mysterio, outro pelo qual não o são. O primeiro é o que bate na consciência real das cousas; o outro o que está chegado á inconsciencia da vida pratica. Quem sabe, por exemplo, o significado mystico e transcendente da cópula? Não ria; nada ha que rir. Tudo isto é mais serio que quanto de serio ha na vida apparente.

Mircea Eliade: ATOS HUMANOS

Filosofia

Excertos de "Les Notions philosophiques", PUF, 1990.
No sentido corrente, sinônimo de ação, no sentido de movimento realizado por um ser humano com vistas a um fim. Designa em particular as ações tendo um efeito legal e as peças oficiais que as consignam. Em seu uso filosófico, o termo é tomado da concepção aristotélica do ser e da modificação. Serve para traduzir seja energeia (a modificação em curso de realização), seja entelechia (a realização da modificação realizada). Ser em ato se opõe, a partir daí, a ser em potência. Resulta que o ato pode designar toda realidade efetiva. Na Metafísica, Aristóteles considera que há uma hierarquia, desde a matéria (hyle) que é somente potência, até o ato puro, quer dizer o ato inteiramente ato, que não comporta qualquer potência. A expressão actus purus foi utilizada por Francis Bacon para designar os movimento mecânico, na medida que se trata-se de um processo cuja potência de transformação está inteiramente realizada em cada instante do tempo. Porque se opõe à potência, o ato pode identificado à forma (eidos: "O ato permanente e durável nada mais é que a forma, substancial ou acidental: a forma substancial — como a alma por exemplo — é claramente permanente, pelo menos, segundo eu, e a acidental só é por um tempo" (Leibniz, Teodicéia).


Mário Ferreira dos Santos: ATO

Meditações Tarô: ATO PURO

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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