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FILOSOFIA — ARISTÓTELES (384-322 aC)

Segundo Christophe Andruzac, até quanto podemos julgar de acordo com o que nos chegou de sua obra, Aristóteles alcançou à contemplação metafísica por uma via puramente especulativa, quer dizer sem nenhum «suporte»: nem formas simbólicas, nem dados das tradições religiosas, nem «técnicas» mentais particulares. A divisão de seus escritos em esotéricos e exotéricos parece muito guiada pelo bom senso de não desenvolver sua síntese senão ao grupo dos discípulos que são capazes de segui-la, propondo a seus outros ouvintes diálogos «ao grande público» — senão pela preocupação de garantir uma transmissão iniciática de «vias» conduzindo à contemplação, como é o caso por exemplo no Sufismo. Esta divisão dos escritos aristotélicos, frequentemente evocada na escola guenoniana, é raramente acompanhada de uma análise técnica suficiente.

Esta via puramente especulativa parece fora do alcance da maior parte; Aristóteles ele mesmo teve muito mais repetidores que verdadeiros discípulos! Com efeito a experiência manifesta que o homem, habitado por um «thymos» profundo de conhecer o Princípio do qual depende e do qual depende o universo, busca e utiliza certo número de «suportes» de diversas ordens para se alçar até o divino. Seria interessante recensear e analisar os principais; não podendo fazê-lo aqui, assinalaremos simplesmente seu princípio comum: «A grandeza e a beleza das criaturas conduzem por analogia à contemplação de seu Criador». Toda uma atividade do homem consiste em buscar vias conduzindo ao divino e, a um menor grau, a olhar, em uma perspectiva de Sabedoria, o mundo objeto de nossa experiência tal um «traço» ou um «vestígio» do divino; a ver nele uma presença do divino. Esta atividade muito particular do homem nos parece constituir uma dimensão antropológica específica do homem: o homo religiosus.

A recusa de Aristóteles de aceitar a síntese de Platão, segundo Christophe Andruzac, se dá em particular no tocante às Ideias. É inegável que o que Platão denomina as «Ideias» sejam divinas. Afirmar que «as Ideias elas mesmas já são "mistos" e se escapam ao devir e à exterioridade espacial, sua distinção que o fundamento do conhecimento do sensível não é possível senão por conta da Alteridade inteligível ela mesma» revém a desconhecer que a inteligibilidade é uma propriedade de isto-que-é, logo que a ciência é primordialmente o conhecimento das determinações do «isto» de todo ser do qual afirmo por experiência externa: «isto é». Esta recusa de Aristóteles não é então uma «revolta» mas um esforço lúcido para salvar a inteligência especulativa do homem, para salvar o Nous. O Filósofo bem viu que se a inteligibilidade não é fundamentalmente uma propriedade de isto-que-é e que se ela não é claramente reconhecida como tal, nada poderia parar a inteligência artística e a imaginação; invocar-se-ia os Deuses, as Musas e os Heróis, falar-se-ia de intuição, de reminiscência, de iluminação, elaborar-se-ia uma «harmonia preestabelecida», númenos, etc. Passa-se da afirmação que há na inteligência contemplativa «algo de divino» à tese que a inteligibilidade do real é ela mesma algo de divino — daí a atração de Platão sobre autores de temperamento religioso.


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Responsável

Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
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